Pesquisas da Embrapa buscam melhorar a qualidade nutricional do grão, aumentar a resistência à seca e desenvolver novas aplicações industriais para reduzir a dependência das exportações de matéria-prima.
O fortalecimento da soja brasileira depende de investimentos em ciência, biotecnologia e inovação, além do volume exportado pelo país. Pesquisadores defendem que o desenvolvimento de grãos com maior qualidade nutricional e novas aplicações industriais pode ampliar o valor agregado da produção nacional e fortalecer a competitividade do setor.
A avaliação é de Alexandre Lima Nepomuceno, pesquisador que já chefiou a Embrapa Soja, em Londrina, no Paraná. Segundo ele, o Brasil precisa avançar no desenvolvimento de tecnologias que permitam aproveitar melhor a oleaginosa, ampliar seus usos e atender às novas exigências dos mercados consumidores.
Entre as possibilidades estão aplicações que vão além da comercialização dos grãos in natura. O óleo de soja, por exemplo, pode ser utilizado na fabricação de produtos industriais, como pneus, asfalto e biocombustíveis, contribuindo para diversificar o mercado e ampliar o aproveitamento da matéria-prima.
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Uma das frentes de pesquisa envolve a edição gênica, técnica que permite modificar trechos específicos do DNA para desenvolver características desejadas nas plantas. A ferramenta CRISPR-Cas9 é utilizada em estudos que buscam melhorar a composição nutricional da soja e desenvolver variedades mais adaptadas às condições climáticas adversas.
Na área nutricional, a Embrapa trabalha para reduzir fatores antinutricionais que dificultam o aproveitamento das proteínas do grão, especialmente na alimentação animal. Uma linhagem desenvolvida com edição gênica foi enquadrada pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança como convencional, e os pesquisadores realizam testes de campo para avaliar seu desempenho.
Outra linha de investigação busca desenvolver plantas mais tolerantes à falta de água. Os estudos também envolvem alterações na composição do óleo, com o objetivo de aumentar o teor de ácido oleico e reduzir componentes associados à oxidação e à presença de gorduras saturadas.
A ampliação dessas pesquisas pode ajudar o Brasil a responder às mudanças na demanda internacional e criar produtos com maior valor comercial. O professor Guilherme Bastos, da Fundação Getulio Vargas, também destaca a importância de desenvolver estatísticas e modelos econômicos próprios para orientar decisões e antecipar tendências do mercado agrícola.
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O investimento em ciência e tecnologia é apontado, portanto, como uma estratégia para fortalecer a soberania brasileira na cadeia da soja. Além de manter a relevância nas exportações, o país pode ampliar a industrialização dos derivados, gerar empregos qualificados e abrir novos mercados para produtos desenvolvidos a partir da oleaginosa.