A aceleração do aquecimento global pode intensificar diversos impactos ambientais e sociais já observados em diferentes regiões do planeta
Um novo estudo internacional indica que a temperatura média da Terra está aumentando em um ritmo cada vez mais rápido. A pesquisa mostra que, na última década, o aquecimento global passou a crescer na taxa mais alta já registrada desde o início das medições instrumentais, em 1880.
O trabalho foi conduzido por cientistas do Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático, na Alemanha, e publicado na revista científica Geophysical Research Letters.
Segundo os pesquisadores, a elevação da temperatura média global chegou a cerca de 0,35°C por década nos últimos anos. O número representa um aumento significativo em relação ao período entre 1970 e 2015, quando o planeta aquecia cerca de 0,2°C a cada dez anos.
Veja também

Assédio institucional ameaça ética e funcionamento do serviço ambiental no Brasil
Para os cientistas, os dados mostram de forma estatística que o aquecimento do planeta está acelerando.
Esse aumento mais rápido da temperatura pode intensificar impactos ambientais e sociais já observados em várias partes do mundo, como secas prolongadas, enchentes, incêndios florestais, deslizamentos de terra e outros eventos climáticos extremos. Além disso, há riscos de perdas econômicas, danos a ecossistemas e redução da biodiversidade.
Os especialistas também alertam que, caso o ritmo atual se mantenha, o planeta pode ultrapassar antes de 2030 o limite de 1,5°C de aquecimento em relação aos níveis pré-industriais, meta estabelecida pelo Acordo de Paris.
Para chegar às conclusões, os pesquisadores analisaram cinco dos principais bancos de dados globais de temperatura utilizados pela comunidade científica. Os registros pertencem a instituições internacionais que monitoram as mudanças climáticas ao redor do planeta.

O aquecimento global é causado principalmente pelo
aumento de gases de efeito estufa na atmosfera
(Foto: Reprodução)
Os cientistas aplicaram métodos estatísticos capazes de identificar mudanças no ritmo de aquecimento ao longo do tempo. As análises indicam que os primeiros sinais de aceleração começaram a surgir por volta de 2013 e 2014, ficando mais evidentes a partir de 2015.
Os resultados foram consistentes em todas as bases de dados analisadas e apresentaram mais de 98% de confiança estatística, segundo os autores do estudo.
Para tornar a análise mais precisa, a equipe científica retirou da avaliação fatores naturais que podem provocar variações temporárias na temperatura global, como o fenômeno El Niño, erupções vulcânicas e oscilações na atividade solar.
Esses eventos podem aquecer ou resfriar o planeta por curtos períodos e acabam dificultando a identificação de tendências de longo prazo. Após retirar essas interferências, os pesquisadores conseguiram observar com mais clareza o padrão de aceleração do aquecimento.
Mesmo após esses ajustes, os anos de 2023 e 2024 continuam sendo considerados os mais quentes já registrados desde o início das medições globais.
De acordo com os especialistas, o principal motivo para o aumento da temperatura média do planeta é a elevação da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera, causada principalmente por atividades humanas, como a queima de combustíveis fósseis.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
Os pesquisadores destacam que a velocidade do aquecimento global nos próximos anos dependerá diretamente da rapidez com que as emissões de dióxido de carbono e outros gases poluentes forem reduzidas em escala mundial.