Estudiosos negam risco de pandemia
O vírus da gripe aviária H5N1 pode ter encontrado um novo hospedeiro na América do Sul. O estudo, publicado na revista "bioRxiv" no início de novembro, relata a primeira evidência de infecções pelo vírus em morcegos-vampiros (Desmodus rotundus ) em áreas costeiras do Peru.
Segundo a pesquisa, no fim de 2022, o vírus devastou populações de aves e mamíferos marinhos ao longo da costa do Pacífico na América do Sul. Os autores, agora, sugerem que os morcegos-vampiros, que se alimentam de sangue, podem ter entrado em contato com o vírus ao consumir presas marinhas infectadas.
“Nosso foco são os morcegos-vampiros comuns, que, por meio da alimentação noturna com sangue, interagem diretamente com animais domésticos, aves marinhas e mamíferos, incluindo potencialmente espécies que sofreram mortalidade em massa devido à variante do vírus. Encontramos evidências de infecção pelo H5N1 em morcegos-vampiros e identificamos as prováveis ??espécies hospedeiras que atuaram como fonte dessas exposições”, escreveram os pesquisadores no artigo.
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A pesquisa, que durou oito anos, foi realizada “em múltiplos locais com morcegos-vampiros selvagens, análises da distribuição de receptores de ácido siálico e da ligação da hemaglutinina H5 em tecidos de morcegos, além de experimentos in vitro para avaliar os fatores ecológicos e virológicos que influenciam a suscetibilidade dos morcegos à infecção pelo vírus da influenza H5N1”.
No entanto, segundo a revista Science, o patologista veterinário do Centro Médico Erasmus, Thijs Kuiken, afirmou que a descoberta não é motivo para soar o alarme de pandemia. Já que a pesquisa sugere que não mais do que 8% dos animais em qualquer colônia tinham anticorpos do vírus. E caso tivesse acontecido uma transmissão eficiente do H5N1 entre eles, esse número teria sido maior.

Foto: Reprodução
Ainda de acordo com a revista, os pesquisadores também afirmam não ter certeza do porquê do vírus ter se espalhado tão pouco entre a espécie. Estudos de laboratório em Glasgow, na Escócia, mostraram que os morcegos-vampiros possuem receptores nos pulmões aos quais o H5N1 pode se ligar, e células dos rins, fígado e pulmões podem ser infectadas pelo vírus.
"Os vírus que surgiram até agora não parecem estar se disseminando, mas não conseguimos identificar nenhuma barreira fisiológica real e eficaz", disse um dos autores da pesquisa, Daniel Streicker. O virologista da gripe Richard Webby, do St. Jude Children's Research Hospital, concorda e afirma que a descoberta não é algo que mereça muita preocupação.
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“Sempre que encontramos o H5N1 em uma espécie diferente ou por uma via de infecção diferente, isso aumenta o risco de pandemia. Mas isso por si só não é algo com que devamos nos preocupar muito. Mas é um artigo muito interessante”, afirma Webby.
Fonte: Extra