Proposta visa intensificar cuidados com a região, diante da abertura para exploração de petróleo. Confira entrevista exclusiva
Cientistas do Instituto de Estudos Avançados da USP (IEA-USP) e do Museu Paraense Emílio Goeldi lançaram, nesta quarta-feira (20), um documento no qual propõem a criação de um mosaico de áreas protegidas na Foz do Amazonas, para fazer frente aos perigos da exploração de petróleo na região. Mosaico reuniria unidades de proteção integral e de uso sustentável, que não impediriam atividades petrolíferas.
A proposta é fruto de uma mobilização inédita entre pesquisadores, lideranças tradicionais, gestores públicos e representantes da sociedade civil dos estados do Amapá, Maranhão, Pará e São Paulo, reunidos por iniciativa dos cientistas da IEA-USP e do Museu Goeldi no chamado “Grupo de Trabalho da Foz do Amazonas”.
Ao longo de um ano, o GT, composto por 19 especialistas de diferentes áreas, se reuniu para formulação de propostas que pudessem unir conservação ambiental, desenvolvimento sustentável e inclusão social, em resposta à necessidade de intensificar os cuidados com a região diante da possibilidade de exploração de petróleo no local.
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O documento que saiu dos debates reúne 18 propostas, sendo as principais delas a criação do mosaico de unidades de conservação e a criação de um centro de pesquisas, o Instituto Nacional da Foz do Amazonas (INFA), que funcionaria nos moldes do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) ou do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), mas voltado especificamente para o estudo da região da Margem Equatorial brasileira.
((o))eco conversou com exclusividade com Alexander Turra, professor titular do Instituto Oceanográfico da USP e um dos organizadores do GT da Foz do Amazonas. Turra também é responsável pela Cátedra UNESCO para a Sustentabilidade do Oceano e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN). Confira os principais trechos da entrevista:Alexander Turra – Com o cenário de exploração de óleo na margem equatorial, especialmente nos estados do Maranhão, Pará e Amapá, a gente entendeu que são necessárias medidas de aumento da resiliência ou de preparo da região, como medidas de adaptação, para que ela possa se beneficiar efetivamente do óleo.
Porque há um discurso de que o óleo vai trazer prosperidade para a região, só que o óleo em si não garante isso. Então, com base nessa experiência do litoral norte do Rio e de outros países, a gente entendeu que era fundamental criar cenários ou opções de futuro, de caminhos, para que a riqueza ou a prosperidade que possa vir derivada do óleo possa trazer benefícios efetivos para a região.
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Nós [GT] fizemos dois seminários e algumas reuniões envolvendo pesquisadores da região e daqui do Instituto de Estudos Avançados para compreender quais seriam esses possíveis caminhos ou as possíveis ações. E aí nós temos nesse documento basicamente 18 ações variadas, e duas ações adicionais que meio que sintetizam um pouco essa ideia ou ilustram um pouco isso de uma forma melhor, que são essas que você mencionou.
Fonte: O Eco