Fenômeno inédito foi observado no Oceano Índico e mostra, em tempo real, o processo de formação de uma nova camada do fundo marinho após atividade tectônica.
Pela primeira vez, cientistas conseguiram registrar diretamente o momento em que o fundo do oceano se expande, revelando um dos processos geológicos mais importantes da dinâmica da Terra. A observação inédita ocorreu no Oceano Índico e permitiu acompanhar, em tempo real, a formação de uma nova porção da crosta terrestre, fenômeno que até então era conhecido apenas por evidências indiretas e modelos científicos.
O estudo foi liderado pelo geofísico marinho Jean-Yves Royer, da Universidade de Brest, na França, e teve seus resultados publicados na revista científica Nature nesta semana.
Segundo os pesquisadores, o evento representa um avanço significativo para a compreensão da forma como o planeta renova continuamente sua superfície, em um processo frequentemente comparado à "reciclagem da pele da Terra".
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O registro ocorreu em 2024 durante uma expedição científica que monitorava uma região da Dorsal Meso-Oceânica do Sudeste do Oceano Índico, uma extensa cadeia de montanhas submersas formada pelo afastamento das placas tectônicas da Austrália e da Antártica.
O objetivo inicial da missão era mapear o fundo marinho e estudar a atividade geológica da região. Para isso, os pesquisadores instalaram diversos equipamentos de alta precisão, incluindo microfones subaquáticos, sensores de pressão e instrumentos capazes de detectar mínimos movimentos da crosta terrestre.
A coincidência chamou a atenção dos cientistas: cerca de dois meses após a instalação dos equipamentos, uma sequência de terremotos atingiu a área monitorada.
Os tremores aceleraram o afastamento das placas tectônicas, permitindo que o magma presente no interior da Terra subisse até a superfície do fundo oceânico.
Ao entrar em contato com a água fria do mar, esse material vulcânico resfriou rapidamente e se transformou em uma nova camada de rocha, ampliando o assoalho oceânico.
EXPANSÃO ULTRAPASSOU UM METRO
Os equipamentos registraram que o fundo do Oceano Índico se expandiu em mais de um metro durante o evento.
Além disso, os pesquisadores observaram que uma parte da dorsal oceânica sofreu um afundamento de aproximadamente quatro metros, enquanto o afastamento entre as placas tectônicas ultrapassou um metro.
Essas medições representam a primeira observação direta desse tipo de transformação geológica em andamento.
Segundo Jean-Yves Royer, o sucesso da pesquisa também contou com uma dose de sorte.
"Tivemos muita sorte de ter todos esses instrumentos instalados quando isso aconteceu. Também tivemos sorte porque as grandes quantidades de lava extravasaram a apenas um ou dois quilômetros dos equipamentos, permitindo que nenhum dado fosse perdido", afirmou o pesquisador em entrevista ao jornal The New York Times.
DESCOBERTA PODE AMPLIAR CONHECIMENTO SOBRE A DINÂMICA DA TERRA
Os cientistas acreditam que o registro inédito ajudará a compreender com maior precisão como ocorre a formação de nova crosta oceânica e de que forma esses eventos podem ser monitorados futuramente.
Além de aprofundar o conhecimento sobre a movimentação das placas tectônicas, os dados poderão contribuir para estudos sobre terremotos, atividade vulcânica submarina e evolução geológica do planeta.
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Embora o processo de expansão do fundo oceânico aconteça continuamente há milhões de anos, ele ocorre de forma extremamente lenta e raramente pode ser observado diretamente, tornando o registro realizado no Oceano Índico um marco para a geologia e para as ciências da Terra.