Pesquisa com participação da Nasa desenvolveu técnica que converte resíduos plásticos e agrícolas em compostos usados na produção de alimentos
Cientistas dos Estados Unidos desenvolveram uma técnica capaz de transformar resíduos plásticos e agrícolas em ingredientes que podem ser utilizados na produção de alimentos. O método utiliza leveduras geneticamente modificadas para converter os materiais em compostos como proteínas, gorduras, ácidos, vitaminas e aromatizantes.
A pesquisa é conduzida pela Southern Illinois University Carbondale (SIU), com participação da Nasa. Os primeiros resultados da tecnologia foram apresentados em agosto, durante a reunião de outono da Sociedade Americana de Química (ACS).
A proposta surgiu a partir de dois problemas globais: o acúmulo de resíduos plásticos e a insegurança alimentar. Os pesquisadores avaliaram a possibilidade de utilizar microrganismos, já empregados na produção de diversas substâncias, para transformar materiais descartados em componentes úteis para a alimentação.
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COMO O PLÁSTICO VIRA ALIMENTO?
O processo começa com a preparação dos resíduos. Os materiais são submetidos a condições de alta temperatura e pressão, com água e oxigênio, para que sejam quebrados em componentes menores e mais fáceis de serem processados pelos microrganismos.
Em seguida, entram em ação as leveduras modificadas geneticamente. Elas são programadas para utilizar os compostos resultantes da decomposição dos resíduos e convertê-los em diferentes substâncias que podem ser aproveitadas como ingredientes.
“Os micróbios são muito inteligentes. Portanto, estamos usando suas características para resolver os problemas que criamos”, afirmou Lahiru Jayakody, um dos pesquisadores envolvidos no projeto.
A técnica não significa que o plástico seja simplesmente triturado e colocado diretamente na comida. O material passa por uma série de etapas químicas e biológicas antes que os compostos obtidos possam ser utilizados na formulação dos alimentos.
BISCOITOS SÃO PRODUZIDOS EM IMPRESSORA 3D
Depois que os microrganismos produzem os compostos desejados, eles são combinados com fibras, amido e adoçante. A mistura é então colocada em uma impressora 3D, responsável por produzir pequenos biscoitos chamados pelos pesquisadores de microbites ou µBites.
A tecnologia foi pensada especialmente para situações em que o acesso a alimentos é limitado. Entre as possíveis aplicações estão o fornecimento de nutrientes em regiões com poucos recursos e até o uso em missões espaciais tripuladas, nas quais transportar e armazenar grandes quantidades de comida representa um desafio.
Apesar dos resultados iniciais, a pesquisa ainda está em fase de desenvolvimento. Segundo os pesquisadores, as primeiras evidências indicam que os microbites podem ser seguros para consumo, mas testes formais de degustação ainda não foram realizados porque dependem de autorização.
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Caso a segurança e a qualidade nutricional sejam confirmadas nas próximas etapas, a tecnologia poderá ser estudada como uma alternativa para reaproveitar resíduos e produzir determinados componentes alimentares, unindo o combate à poluição e estratégias de enfrentamento da insegurança alimentar.