Ex-clientes relatam prejuízos financeiros, processos inexistentes e documentos falsos em série de denúncias contra advogada no Distrito Federal
Uma advogada passou a ser investigada e enfrenta diversas ações judiciais no Distrito Federal após ex-clientes alegarem que nunca receberam os serviços contratados. Segundo as denúncias, Gessyka Domenique Messias Araujo de Pietro, de 32 anos, teria se apropriado de valores pagos a título de honorários, interrompido o contato com os clientes e, em alguns casos, falsificado documentos para simular a existência de processos que jamais foram protocolados na Justiça.
De acordo com a apuração, ao menos três vítimas registraram ocorrência na Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) por estelionato. Há ainda registros por falsificação de documento particular e apropriação indébita. Os fatos investigados teriam ocorrido entre os anos de 2021 e 2025.
Além das investigações criminais, a advogada responde a pelo menos 12 ações cíveis movidas por ex-clientes, que pedem indenizações por danos morais e materiais em razão de supostas irregularidades na prestação dos serviços advocatícios.
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Um dos casos envolve uma moradora de Samambaia que afirma ter sido prejudicada após vencer uma ação trabalhista. Segundo o processo, a advogada teria deixado de repassar mais de R$ 20 mil pertencentes à cliente, além de interromper a comunicação. Há suspeita de que uma procuração com assinatura falsificada tenha sido usada para sacar os valores.
A cliente contratou Gessyka em agosto de 2023 para atuar em uma ação na 5ª Vara do Trabalho de Taguatinga. O acordo previa o pagamento de 30% do valor líquido apenas após o recebimento da indenização. Entre outubro de 2024 e março de 2025, a empresa condenada depositou R$ 37.930,92 diretamente na conta da advogada. Do total, a cliente afirma ter recebido apenas R$ 6.986,50, quando o valor correto seria superior a R$ 25 mil.
Ainda segundo a ação, a advogada teria cobrado honorários adicionais de forma indevida sobre os valores parcialmente repassados. Após questionamentos, a profissional teria se recusado a resolver a situação e deixado de atender ligações. O atual advogado da vítima afirma que Gessyka não foi localizada em nenhum dos endereços conhecidos, o que tem dificultado sua intimação judicial.
Apesar disso, a advogada mantém um perfil ativo nas redes sociais, com mais de 11 mil seguidores.
PROCESSOS INEXISTENTES
Outro relato aponta que uma ex-cliente contratou Gessyka para ingressar com uma ação após ser reprovada em uma avaliação biopsicossocial de um concurso público, mesmo possuindo escoliose. A mulher pagou R$ 2.304,10 em honorários e recebeu a informação de que o processo já havia sido protocolado.
Durante meses, a advogada teria apresentado documentos adulterados e respostas evasivas para simular o andamento da ação. A fraude foi descoberta quando a própria cliente consultou o sistema do Judiciário e constatou que não havia nenhum processo em seu nome. Em julho do ano passado, a Justiça do DF condenou Gessyka ao pagamento de R$ 2 mil por danos materiais e R$ 5 mil por danos morais.
Casos semelhantes se repetem em outras denúncias. Clientes relatam que a advogada fornecia números de processos falsos e atribuía eventuais falhas ao sistema do tribunal. Há relatos de decisões judiciais inventadas e promessas de indenizações que nunca existiram. Um dos denunciantes afirma ter sofrido prejuízo superior a R$ 11 mil.
Em outra situação, uma cliente diz ter contratado a advogada para três ações judiciais e um inventário. Segundo o relato, Gessyka teria criado números de processos inexistentes e até feito protocolos sem anexar documentos, apenas para aparentar movimentação processual. Ao ameaçar denunciá-la, a cliente afirma ter sido intimidada.
Há ainda acusações de falsificação de documentos em um caso envolvendo pedido de curatela de um idoso de 80 anos com Alzheimer. A família afirma ter pago cerca de R$ 5.200 em honorários e custas, mas as ações nunca foram ajuizadas. Documentos apresentados pela advogada teriam sido retirados de outros processos. A cliente precisou contratar novos profissionais para regularizar a situação e agora pede indenização na Justiça.
DEFESA
Procurada, Gessyka afirmou desconhecer as acusações e negou qualquer falsificação ou retenção indevida de valores. Segundo ela, todos os documentos possuem QR Code e os valores recebidos via Pix corresponderiam a taxas processuais. A advogada declarou ainda que sua situação profissional junto à OAB permanece regular e que também move ações contra pessoas que, segundo ela, não efetuaram pagamentos devidos.
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Em nota, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Distrito Federal informou que, conforme o Estatuto da Advocacia, não comenta processos disciplinares em tramitação no Tribunal de Ética e Disciplina, que correm sob sigilo até a conclusão.