Os dez ministros do Supremo Tribunal Federal participaram, nesta quinta-feira, de uma reunião fechada — sem assessores e sem representantes da Procuradoria-Geral da República — para discutir o pedido da Polícia Federal pelo afastamento do ministro Dias Toffoli da relatoria das investigações envolvendo o chamado caso Master.
O encontro teve início por volta das 16h30. Os ministros Luiz Fux e André Mendonça participaram de forma remota. Os demais, incluindo o próprio Toffoli, estiveram presencialmente em Brasília.
Antes mesmo da reunião começar, interlocutores do ministro afirmavam que ele seguia “irredutível” e decidido a permanecer tanto no STF quanto na condução do processo. Nos bastidores da Corte, o clima é descrito como de extremo constrangimento.
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Isso porque não há precedentes na história do tribunal de afastamento de um ministro por suspeição decidido pelo próprio colegiado — e nem mesmo uma discussão interna nesse formato já havia ocorrido.
O caso ganhou contornos ainda mais graves após vir à tona que Toffoli é sócio de uma empresa que, até então, era atribuída apenas a familiares. A mesma companhia teria realizado negócios com um fundo ligado ao grupo investigado.
Na quarta-feira, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, esteve com o presidente do STF, Luiz Fachin, acompanhado de delegados responsáveis pelo inquérito.
Na ocasião, foi entregue um volume de documentos contendo conversas entre Toffoli e o controlador do grupo Master, Daniel Vorcaro, além de outras evidências que apontariam vínculos do ministro com a instituição investigada.
A expectativa é que o caso tenha novos desdobramentos nos próximos dias. Caso o STF não avance internamente sobre o pedido de afastamento, o assunto pode acabar sendo judicializado, ampliando ainda mais a crise institucional.
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Enquanto isso, o tribunal vive um dos momentos mais delicados de sua história recente, com ministros reunidos em sigilo para discutir a permanência de um colega à frente de um processo sensível.