Documentos judiciais relatam dois episódios envolvendo atendimento infantil na Vacinar, enquanto candidata confirmou durante debate que é proprietária de uma clínica de vacinação em Manaus
Documentos apresentados em processos judiciais envolvendo a Vacinar Centro de Vacinação Ltda., em Manaus, relatam dois episódios relacionados ao atendimento de crianças. Em um deles, uma petição menciona a suposta aplicação de uma vacina fora do prazo de validade. No outro, documentos descrevem uma lesão apresentada por um recém-nascido após a aplicação das vacinas BCG e hepatite B.
A clínica passou a ser alvo de atenção após a candidata ao Governo do Amazonas Maria do Carmo Seffair (PL) mencionar sua atuação no setor durante o debate da TV Norte Amazonas, realizado nesta terça-feira (22).
“Eu trabalho com vacinação, e eu sou uma dona de uma clínica de vacinação, amplamente a favor de que se faça a cobertura vacinal em todo o interior”, declarou a candidata durante a discussão sobre saúde e imunização.
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Dados cadastrais públicos consultados na apuração apontam Maria do Carmo Seffair Lins de Albuquerque como sócia-administradora da Vacinar desde maio de 2024. A empresa foi aberta em 2000, permanece com situação cadastral ativa e tem como atividade principal os serviços de vacinação e imunização humana.
Um dos episódios mencionados nos documentos judiciais envolve uma criança que teria recebido uma vacina em 2018. Conforme uma petição apresentada pela parte autora, a mãe foi orientada a permanecer na recepção da clínica por aproximadamente 40 minutos após a aplicação, devido à possibilidade de reação alérgica.
Ainda segundo o documento, durante o período de espera, a mãe teria verificado a embalagem do imunizante e constatado que a vacina estaria vencida havia dois dias.

A petição questiona como um produto fora do prazo de validade teria permanecido disponível no estabelecimento e sido administrado à criança. O relato integra a argumentação apresentada no processo e, isoladamente, não representa uma conclusão judicial sobre eventual responsabilidade da clínica.
Outro processo citado na documentação envolve um recém-nascido de sete dias de vida, atendido em dezembro de 2021. Segundo os documentos, o bebê recebeu as vacinas BCG e hepatite B e posteriormente apresentou uma lesão no local da aplicação.
Imagens anexadas ao processo mostram, conforme a descrição dos autos, uma lesão de aproximadamente dois centímetros, além de manchas de sangue e secreção nas roupas da criança.

Mensagens trocadas entre a família e representantes da clínica também foram apresentadas no processo. Nos diálogos, a mãe relata preocupação com a evolução da lesão e questiona o atendimento recebido.
A documentação menciona ainda que a criança teria passado posteriormente por tratamento medicamentoso relacionado à tuberculose. A relação entre a aplicação das vacinas, a lesão e o tratamento posterior deve ser analisada à luz do conjunto de provas e das decisões judiciais referentes ao caso.
Os documentos também registram a existência de um acordo financeiro de R$ 5,2 mil relacionado ao segundo episódio.

Foto: Divulgação
A ligação empresarial entre Maria do Carmo e a Vacinar consta em registros cadastrais públicos. A empresa tem sede no conjunto Vieiralves, em Manaus, e atua no segmento de vacinação e imunização humana.
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A reportagem procurou a candidata, por meio de sua assessoria de imprensa, para esclarecer os episódios relatados nos processos, sua relação com a clínica e as providências adotadas na época. Até a publicação da matéria, não havia resposta. O espaço permanece aberto para manifestação.
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