Profissionais recomendam combinar senha para confirmar identidade em situações incomuns, como pedidos urgentes de dinheiro
Golpes que utilizam inteligência artificial para clonar vozes estão se tornando cada vez mais sofisticados e preocupam especialistas em segurança digital. Com poucos segundos de áudio disponíveis na internet, criminosos conseguem reproduzir a voz de uma pessoa para enganar familiares e pedir dinheiro em falsas situações de emergência.
Um dos casos que chamou atenção foi o da americana Elizabeth Benz, moradora de Buffalo, no estado de Nova York. Em setembro de 2025, ela recebeu uma ligação que parecia ser do filho, John, de 16 anos. Na chamada, a voz do adolescente dizia que um amigo havia morrido. Em seguida, um homem assumiu a conversa e afirmou que mataria o jovem caso ela não entregasse US$ 7.500 em um estacionamento de uma loja Walmart.
Desesperada, Elizabeth chegou a ir ao local indicado pelos criminosos. O golpe só foi interrompido quando outro filho conseguiu entrar em contato com John e confirmou que ele estava seguro, assistindo a uma partida de futebol americano. A voz ouvida na ligação havia sido criada por inteligência artificial.
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Especialistas afirmam que uma das formas mais eficazes de evitar esse tipo de fraude é criar uma palavra-código entre os membros da família. A senha deve ser conhecida apenas pelos parentes e utilizada sempre que houver um pedido incomum, principalmente envolvendo dinheiro, acidentes ou situações de risco.
O especialista em deepfakes Hany Farid, cofundador da GetReal Security, explica que os criminosos conseguem copiar vozes com grande precisão, mas não têm acesso a informações privadas previamente combinadas entre familiares. Segundo ele, a senha pode ser uma palavra simples ou até uma piada interna, desde que seja fácil de lembrar e difícil de adivinhar.
Além da palavra-código, especialistas orientam que as pessoas fiquem atentas a três sinais comuns nesse tipo de golpe: pedidos feitos com extrema urgência, exigência de pagamentos por meios difíceis de rastrear — como criptomoedas, cartões-presente ou dinheiro em espécie — e tentativas de impedir que a vítima confirme a história com outros familiares.
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Dados divulgados pela BBC mostram que os prejuízos causados por golpes virtuais nos Estados Unidos chegaram a cerca de US$ 148,2 bilhões em 2025. Desse total, aproximadamente US$ 6,3 bilhões estão relacionados a fraudes que utilizaram inteligência artificial. Para especialistas, manter a calma, confirmar a identidade da pessoa por meio da palavra-código e conversar com outro familiar antes de realizar qualquer pagamento são medidas essenciais para evitar prejuízos.