Violência, ameaças e tortura: como agiotas transformam dívidas em pesadelo para vítimas em Minas
As investigações resultaram na Operação Capital Coativo, deflagrada pela Polícia Civil para combater uma organização criminosa que atuava principalmente na Região Metropolitana de Belo Horizonte, com foco em Contagem.
Ao todo, foram presos 14 suspeitos, sendo nove colombianos e cinco brasileiros.
Segundo o delegado Raphael Boechat, responsável pelo caso, os grupos estrangeiros atuam de forma altamente organizada, com estrutura hierárquica e cobrança de juros diários que podem variar entre 6% e 20%.
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"Eles costumam permanecer o dia inteiro no comércio das vítimas, intimidando clientes, recolhendo objetos e fazendo ameaças para forçar o pagamento", explicou.
Já os grupos brasileiros, segundo o delegado, costumam agir com ainda mais violência.
"Eles invadem residências, agridem vítimas com pedaços de pau e armas de choque, perseguem familiares, intimidam crianças e ameaçam parentes idosos", afirmou.

Foto: Reprodução
Especialistas alertam que as intimidações praticadas por agiotas podem provocar graves impactos na saúde mental das vítimas.
Segundo o psiquiatra Paulo Repsold, o medo constante pode desencadear transtornos como ansiedade e depressão e, em casos extremos, levar ao suicídio.
Para o economista Paulo César Feitosa, muitas pessoas recorrem à agiotagem apenas depois de esgotarem todas as alternativas de crédito, como mpréstimos bancários, cartão de crédito e ajuda de familiares.
O delegado Raphael Boechat reforçou que a agiotagem é crime e costuma estar associada a outros delitos graves, como extorsão, sequestro e lesão corporal.
Ele também orientou que as vítimas procurem a Polícia Civil.
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"Quanto mais pessoas denunciarem o mesmo agiota, melhor para a investigação e para a proteção das próprias vítimas. Uma eventual retaliação se torna muito mais difícil quando há dezenas ou centenas de denunciantes", concluiu.