Skeletonista recorre à Corte Arbitral do Esporte após ser impedido de competir nos Jogos de Milão-Cortina por violar regra que proíbe manifestações políticas
O atleta ucraniano Vladislav Heraskevych, de 27 anos, foi desclassificado nesta quinta-feira (12) antes de iniciar sua participação no skeleton nos Jogos de Inverno de Milão-Cortina. O motivo foi o uso de um capacete com imagens de cerca de 20 esportistas ucranianos mortos na guerra contra a Rússia.
Após dias de negociações, o Comitê Olímpico Internacional (COI) decidiu pela exclusão do competidor, alegando que o equipamento configurava manifestação política, o que é proibido pela Carta Olímpica. A entidade se baseou na Regra 50, que veta “propaganda ou manifestação política, religiosa ou racial” em locais oficiais dos Jogos.
Heraskevych não realizou as duas descidas programadas para o dia e apresentou recurso à Corte Arbitral do Esporte (CAS). A corte confirmou o recebimento do pedido e informou que analisará o caso com urgência. A expectativa é que a decisão saia antes da sequência da prova, marcada para sexta-feira (13), quando serão definidas as medalhas.
Veja também

Atletas esgotam 10 mil preservativos em três dias na Vila Olímpica de Milão-Cortina
Ex-atacante do Vasco anuncia diagnóstico de câncer de pele e relata internação
COI DEFENDE CUMPRIMENTO DAS REGRAS
A presidente do COI, Kirsty Coventry, afirmou que a mensagem do atleta não foi questionada, mas sim o cumprimento das normas.
“Ninguém discorda da mensagem. Ela é poderosa e representa memória e respeito. Mas precisamos garantir um ambiente neutro e seguro para todos”, declarou. Segundo Coventry, o foco dos Jogos deve ser o desempenho esportivo e a promoção da harmonia internacional.
O COI informou que havia autorizado o uso do capacete durante os treinos e sugeriu alternativas para a competição oficial, como o uso de uma braçadeira preta. Também ofereceu a possibilidade de que o atleta utilizasse o capacete após a prova, na chamada zona mista, destinada à imprensa.
ATLETA CRITICA DECISÃO
Em publicação nas redes sociais, Heraskevych afirmou que não pretendia criar conflito, mas criticou a interpretação das regras pelo COI, classificando-a como discriminatória. Ele propôs que o comitê retirasse o veto ao que chamou de “capacete da memória”, pedisse desculpas pela pressão exercida e demonstrasse solidariedade ao esporte ucraniano com o envio de geradores elétricos ao país, afetado por bombardeios.
Após a confirmação da desclassificação, o atleta publicou uma foto usando o capacete e escreveu: “Esse é o preço da nossa dignidade”.
Não é a primeira vez que ele se manifesta nos Jogos. Em Pequim-2022, exibiu um pequeno cartaz com a frase “não à guerra na Ucrânia”. Na ocasião, o COI considerou o gesto um apelo geral pela paz e não aplicou punição.
REAÇÃO POLÍTICA
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, criticou a decisão e afirmou que o esporte não deveria significar “amnésia” diante da guerra. Para ele, o capacete representava um lembrete do impacto da agressão russa e do custo humano do conflito.
Zelenski também acusou a Rússia de desrespeitar repetidamente os princípios olímpicos ao manter ações militares durante períodos de Jogos.
A Rússia está sob sanções no movimento olímpico desde 2016, inicialmente por escândalos de doping e, desde 2022, em razão da guerra na Ucrânia. Em Milão-Cortina, atletas nascidos no país competem sob status neutro.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
O caso reacende o debate sobre os limites entre expressão individual e neutralidade política no maior evento esportivo do planeta.