Pesquisa revela que dores intensas e falta de suporte à saúde menstrual impactam frequência e aprendizado de alunas no país.
Uma pesquisa nacional divulgada pelo Instituto Alana em parceria com o Instituto Equidade.info revelou que as dores menstruais têm afetado diretamente a vida escolar de meninas brasileiras. Segundo o levantamento, quatro em cada dez estudantes que menstruam faltam às aulas todos os meses por causa de cólicas e outros sintomas relacionados ao período menstrual.
O estudo ouviu 2.551 estudantes, além de professores e gestores escolares das redes pública e privada de ensino em todas as regiões do país. Entre as adolescentes entrevistadas, seis em cada dez relataram sofrer com cólicas moderadas ou fortes que interferem na rotina escolar e exigem uso de medicamentos.
As cólicas aparecem como o principal motivo das faltas escolares, citadas por 57,7% das estudantes. Outros sintomas relatados incluem cansaço e dores no corpo, dores de cabeça, dores abdominais, medo de vazamentos e até a falta de acesso a banheiros adequados e produtos de higiene menstrual.
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De acordo com a pesquisa, os sintomas menstruais podem provocar até dois dias de ausência escolar por mês, comprometendo o aprendizado, a participação em atividades e o vínculo das estudantes com a escola.
Especialistas alertam que o problema ainda é tratado como uma questão individual, quando deveria ser encarado como um desafio coletivo de saúde e educação. O estudo defende a criação de protocolos de acolhimento nas escolas, faltas justificadas e maior preparo de professores e gestores para lidar com a situação sem constrangimentos.
A pesquisa também identificou desigualdades raciais relacionadas à saúde menstrual. Meninas negras faltam mais às aulas por motivos menstruais do que estudantes brancas, mesmo relatando menos dores intensas. Segundo especialistas, isso pode estar ligado à naturalização da dor entre meninas negras, que muitas vezes deixam de buscar ajuda ou tratamento adequado.
Outro ponto de destaque foi a desigualdade regional. Nas regiões Norte e Centro-Oeste, a falta de absorventes, banheiros adequados e infraestrutura escolar aparece com maior frequência entre os motivos de ausência das estudantes.
O levantamento também mostrou que a primeira menstruação está ocorrendo cada vez mais cedo no Brasil. Mais de 65% das meninas entrevistadas menstruaram até os 11 anos de idade, e mais de um terço teve a menarca antes dos 10 anos.
Além disso, o estudo relaciona a menarca precoce ao aumento das cólicas intensas. Entre as estudantes que menstruaram aos 10 anos, 43% afirmaram sofrer com dores fortes.
Especialistas reforçam que dores menstruais incapacitantes não devem ser tratadas como normais, já que podem indicar problemas como endometriose e outras doenças ginecológicas que costumam demorar anos para serem diagnosticadas.
A pesquisa ainda aponta que o desconhecimento sobre menstruação entre os meninos contribui para o tabu e o constrangimento nas escolas. Muitos estudantes do sexo masculino afirmaram não compreender os impactos do ciclo menstrual na rotina das colegas.
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Para o Instituto Alana, ampliar o debate sobre saúde menstrual nas escolas é essencial para reduzir desigualdades, garantir permanência escolar e melhorar a qualidade de vida de meninas e mulheres em todo o país.