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Com 3,5 metros de comprimento e estrutura craniana sem precedentes, o fóssil de golfinho de rio encontrado na Amazônia é o maior já registrado no planeta e reescreve a história dos mamíferos aquáticos
Foto: Reprodução

maior golfinho de rio já identificado no planeta

Com 3,5 metros de comprimento, o Pebanista yacuruna é o maior golfinho de rio já descoberto, achado na Amazônia peruana e datado de 16 milhões de anos.


Um achado científico nas margens do rio Napo, na Amazônia peruana, está redefinindo o entendimento sobre a evolução dos mamíferos aquáticos da América do Sul.

 

Pesquisadores peruanos e europeus anunciaram em março de 2024 a descoberta do maior golfinho de rio já identificado no planeta, um fóssil com aproximadamente 3,5 metros de comprimento, pertencente a uma espécie extinta do gênero Pebanista.

 

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O crânio do animal, preservado em surpreendente estado, foi encontrado por paleontólogos da Universidade Mayor de San Marcos e imediatamente se destacou por suas proporções incomuns e por pertencer a um período geológico em que a Amazônia ainda era um grande sistema marinho interior.

 

DESCOBERTA QUE MUDA A LINHA EVOLUTIVA DOS GOLFINHOS


De acordo com o estudo publicado na revista científica Science Advances e repercutido por veículos como The Guardian e BBC Science, o fóssil foi escavado em sedimentos datados de cerca de 16 milhões de anos, no Mioceno.

 

Nessa época, a Amazônia não era uma floresta tropical como hoje, mas sim um imenso sistema de lagos e canais interligados, conhecido como “Sistema Pebas”, que cobria áreas do atual Peru, Colômbia e Brasil.

 

Foi nesse cenário que viveu o gigante Pebanista yacuruna, nome inspirado na criatura mítica amazônica “Yacuruna”, descrita em lendas indígenas como um ser aquático que habita os rios profundos.

 

A análise do fóssil revelou características anatômicas inéditas entre os golfinhos fluviais conhecidos: dentes longos e robustos, um crânio largo adaptado à caça de grandes presas e uma estrutura óssea que indica capacidade de natação vigorosa, muito superior à dos golfinhos de rio modernos.

 

O tamanho e a morfologia indicam que o animal poderia ocupar o topo da cadeia alimentar dos sistemas aquáticos amazônicos pré-históricos, agindo como verdadeiro predador dominante em um ecossistema repleto de peixes gigantes e crocodilianos extintos.

 

Com 3,5 metros de comprimento e estrutura craniana sem precedentes, o fóssil de golfinho de rio encontrado na Amazônia é o maior já registrado no planeta e reescreve a história dos mamíferos aquáticos

 

UM PARENTE DISTANTE DOS GOLFINHOS DE HOJE


Embora o Pebanista yacuruna tenha sido encontrado na América do Sul, sua linhagem evolutiva tem origens asiáticas. Pesquisas comparativas mostram que o grupo é ancestral dos atuais golfinhos do rio Ganges e do rio Indo, encontrados na Índia e no Paquistão.

 

Essa conexão sugere uma migração antiga de espécies ancestrais entre continentes, provavelmente através de rotas oceânicas durante períodos de nível do mar elevado.

 

O paleontólogo Rodolfo Salas-Gismondi, um dos líderes da pesquisa, destacou que a descoberta “representa uma ponte entre as faunas aquáticas da Ásia e da América do Sul” e demonstra como as antigas conexões marinhas moldaram a biodiversidade fluvial que existe até hoje.

 

“Este golfinho amazônico pré-histórico mostra que o sistema Pebas foi um berço de evolução e um corredor biogeográfico essencial para a fauna aquática tropical”, explicou o cientista à Reuters.

 

O MAIOR GOLFINHO DE RIO JÁ REGISTRADO

 

Antes dessa descoberta, o título de maior golfinho fluvial conhecido pertencia ao Brachydelphis mazeasi, também encontrado em sedimentos peruanos, com cerca de 2,8 metros. O novo exemplar supera essa marca com folga, chegando a 3,5 metros e um peso estimado em mais de 250 quilos.

 

Essa dimensão o torna maior do que muitas espécies marinhas modernas, o que surpreendeu os pesquisadores, pois o tamanho geralmente é limitado pela profundidade e extensão dos rios — condições que, no caso do antigo sistema Pebas, eram bastante diferentes das atuais.

 

A descoberta reforça o papel da Amazônia como um dos maiores depósitos de fósseis fluviais do planeta, revelando que, há milhões de anos, ela abrigava uma biodiversidade colossal e pouco conhecida. Além disso, traz novas pistas sobre como os golfinhos de rio modernos — como o boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis) — evoluíram a partir de ancestrais marinhos que se adaptaram ao ambiente fluvial isolado.

 

A AMAZÔNIA COMO ARQUIVO VIVO DA HISTÓRIA NATURAL


O fóssil está atualmente em exposição no Museu de História Natural da Universidade Mayor de San Marcos, em Lima, e se tornou símbolo de uma nova fase da paleontologia sul-americana.

 

Cientistas afirmam que os achados desse tipo ajudam a compreender como as mudanças climáticas e geográficas moldaram os ecossistemas tropicais, e alertam que a perda de habitat e o desmatamento podem comprometer a descoberta de novas espécies ainda ocultas sob o solo amazônico.

 

 

 

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Com dimensões colossais e importância científica inédita, o Pebanista yacuruna não é apenas o maior golfinho de rio já descoberto: ele é uma janela aberta para um passado em que a Amazônia era um vasto oceano interior, e os rios abrigavam predadores de proporções quase mitológicas.

 

Fonte:CPG

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