13 de Julho de 2024 - Ano 10
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Internacional
10/07/2024

Com Musk excluído, lítio coloca Bolívia no centro de disputa entre China, Rússia e EUA

Foto: Reprodução

O presidente boliviano, Luis Arce, disse em sua campanha que a exploração do lítio tinha um potencial de gerar bilhões de dólares para o país

A Bolívia chamou a atenção do mundo após uma tentativa frustrada de golpe de Estado, mas o país já está no radar internacional bem antes disso, por outro motivo.Chineses, russos e americanos vêm travando uma disputa pelo acesso às reservas de lítio do país.A Bolívia detém as maiores reservas deste mineral do mundo, atrás apenas da Argentina e do Chile, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos.

 

A entrada do país no Mercosul faz, portanto, com que o bloco regional tenha dois dos maiores detentores de reservas da matéria-prima usada em baterias elétricas e considerada essencial para a transição para uma matriz energética baseada em fontes renováveis.Após participar da cúpula, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez uma visita oficial à Bolívia na terça-feira (9/7), onde chamou atenção, dentre outros temas, para o potencial da indústria do lítio no país.

 

Especialistas e diplomatas ouvidos pela BBC News Brasil reconhecem que o potencial do lítio boliviano tem atraído as atenções de super-potências.Mas eles avaliam que as dificuldades para explorar o tipo de lítio presente no território boliviano e a instabilidade política levantam dúvidas sobre se o mineral poderá alavancar a economia boliviana e o desenvolvimento do país, como vem sendo prometido por políticos locais há mais de uma década.

 

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Segundo dados do governo americano, a Bolívia possui em torno de 21 milhões de toneladas de lítio. Estimativas mais recentes do governo boliviano apontam que o país teria 23 milhões de toneladas.

 

A Argentina aparece em segundo lugar, com 19 milhões, e em terceiro vem o Chile, com 9 milhões.Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), o Brasil é o 7° maior detentor de reservas de lítio no mundo, com 1,23 milhão de tonelada e, atualmente, é o 5° maior produtor mundial do minério.

 

Elon Musk durante evento da Tesla

 

A maioria das reservas bolivianas se concentra na região do Salar de Uyuni, no Oeste do país.O lítio vem sendo apontado por especialistas como um dos minérios estratégicos mais importantes para o futuro do planeta por conta de seu uso na fabricação de baterias elétricas.

 

Essas baterias equipam carros elétricos ou híbridos e são apontadas como cruciais para reduzir suas emissões de carbono produzidas pela queima de combustíveis fósseis, como a gasolina e o diesel. Diante do crescimento da produção de carros elétricos no mundo, investidores de todo o planeta passaram a buscar novas fontes de lítio.

 

Para explorar suas reservas, o governo boliviano abriu em 2021 uma série de leilões internacionais para dar início à exploração no país.Em um deles, o governo pré-selecionou oito empresas de quatro países: Estados Unidos, Rússia, China e Argentina.O governo boliviano fechou acordos com empresas da Rússia e da China para instalar plantas-piloto de extração do mineral no país.Os investimentos previstos são de US$ 1,4 bilhão (R$ 7,6 bilhões).

 

Nenhuma das empresas americanas e argentinas foi selecionada. Entre as americanas excluídas estava a EnergyX, que faz parte do conglomerado comandado pelo empresário Elon Musk.Musk também comanda a Tesla, uma das principais fabricantes de carros elétricos do mundo e que, por isso, tem interesse em ter acesso ao lítio boliviano.

 

A Yacimientos de Lítio Bolivianos (YLB), estatal criada para administrar as reservas do mineral, afirmou que a exclusão da empresa de Musk ocorreu porque ela enviou sua proposta fora do prazo. Em comunicado, a EnergyX admitiu a falha.Manifestações de Musk sobre a política boliviana foram bastante criticadas nos últimos anos.

 

Em julho de 2020, Musk se manifestou na sua rede social X (então Twitter) sobre uma suposta conspiração que teria levado à renúncia do ex-presidente boliviano Evo Morales em 2019 para que o empresário tivesse acesso às reservas de lítio do país.

 

Tuíte de Elon Musk sobre política boliviana após renúncia de Evo Morales

Fotos: Reprodução

 

Ao responder a um usuário, ele disse: "Vamos dar um golpe em quem quisermos. Lidem com isso". O tweet foi apagado depois.No perfil de Musk, ainda há outro comentário em que ele parabeniza o povo boliviano pela queda de Morales em 2019.Em 2023, a preocupação dos Estados Unidos com as reservas de lítio da Bolívia e de outros países da região também causou reações.

 

Durante uma sessão no Congresso dos Estados Unidos em março de 2023, a general Laura Richardson, chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, responsável por operações de segurança e defesa na América do Sul, mencionou o chamado "Triângulo do Lítio" (formado pela Bolívia, Argentina e Chile) como um ponto de atenção à medida que empresas de países como a China passaram a atuar na região.

 

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"Quando falamos com embaixadores americanos no Chile e Argentina, as companhias [chinesas] que estão lá, a agressividade da China com relação ao lítio é muito avançada", disse Richardson.Em seguida, o ex-presidente Evo Morales classificou a fala de Richardson como uma "ameaça"."Repudiamos as ameaças da chefa do Comando Sul dos Estados Unidos, Laura Richardson, que repete o interesse predador do seu país sobre o 'Triângulo do Lítio' na Bolívia, Argentina e Chile", disse Morales em seu perfil no X. 

 

Fonte: BBC

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