Reportagem acompanhou operação na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso, onde facção controla áreas de mineração ilegal, usa ouro para negociar armas e drogas e impõe uma rotina de violência às aldeias
Uma investigação da Polícia Federal revelou o avanço do Comando Vermelho sobre áreas de garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso. Segundo as autoridades, a facção assumiu o controle de pontos estratégicos de mineração clandestina e passou a utilizar ouro extraído ilegalmente para financiar outras atividades criminosas, incluindo o tráfico de drogas e a compra de armamentos.
A Terra Indígena Sararé, pertencente ao povo Nambikwara desde 1985, abrange cerca de 67 mil hectares e concentra mais de mil pontos de exploração ilegal. Até poucos meses atrás, mais de 2 mil pessoas atuavam dentro do território na extração clandestina de minério, em uma estrutura que, segundo investigadores, funcionava como uma verdadeira vila, com comércio, bares e outros serviços de apoio aos garimpeiros.
De acordo com a Polícia Federal, a presença da facção na região começou em 2023, inicialmente oferecendo segurança armada aos garimpeiros. Com o tempo, o grupo criminoso ampliou sua influência e passou a controlar diretamente a atividade ilegal, impondo uma rotina de violência e intimidação na área.
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As investigações apontam que o ouro retirado da terra indígena era usado como moeda de troca em negociações com organizações criminosas de países vizinhos. Em troca do minério, os criminosos recebiam drogas e armas de grosso calibre, fortalecendo ainda mais a atuação da facção.
Uma megaoperação coordenada pelo governo federal vem combatendo os crimes ambientais e o avanço do crime organizado na região desde março. Durante a ação, as forças de segurança apreenderam mais de 42 mil litros de óleo diesel, 153 quilos de ouro e destruíram 33 túneis usados para esconder armas e munições. Também foram inutilizados cerca de 200 acampamentos, mais de 800 motores e 31 máquinas de escavação.
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Foto: Reprodução/TV Globo
Ao todo, 72 pessoas foram presas, e o prejuízo estimado causado à estrutura do garimpo ilegal já ultrapassa R$ 110 milhões. As investigações seguem em andamento para identificar financiadores, fornecedores de armamento e outros envolvidos no esquema criminoso.
Além da violência, o garimpo ilegal tem causado impactos severos ao meio ambiente. A retirada intensiva de terra comprometeu o lençol freático e poluiu o Rio Sararé, enquanto o uso de substâncias tóxicas como mercúrio e cianeto agrava os danos ambientais, com efeitos que podem perdurar por décadas ou até séculos.
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Para os povos indígenas da região, a expectativa é de recuperação do território e de retomada da segurança. Lideranças locais denunciam que a destruição ambiental e a presença do crime organizado vêm comprometendo a sobrevivência e o modo de vida tradicional das comunidades.