Organização criminosa agiu em favor de reeleição do prefeito eleito em Santa Quitéria em 2024, conforme investigações. Mandato do prefeito foi cassado pelo TRE no mês de julho.
A interferência do crime organizado nas eleições municipais de Santa Quitéria, no interior do Ceará, envolveu o fornecimento de drogas para comprar votos. As ações eram realizadas por representantes do Comando Vermelho em favor do prefeito José Braga Barroso (PSB), conhecido como Braguinha. O preso por se associar à facção (veja detalhes abaixo). As informações constam em documentos da investigação do caso, feitas pela polícia e pelo Ministério Público.
As investigações apontam ainda que eleitores foram ameaçados pela facção criminosa a não votar no candidato opositor, Tomás Figueiredo (MDB).
Dentre as ações cometidas durante as eleições de 2024, um dos traficantes da facção ordenou publicações nas redes sociais para “conseguir o apoio dos viciados em drogas”, informando que drogas seriam usados para comprar os votos destas pessoas.
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Conforme as investigações, o traficante conhecido como Rikelme e outros criminosos, conhecidos como "Da30" e Tyson, concordaram em fazer a compra de votos com drogas nos três dias anteriores ao dia das eleições.
Rikelme é apontado como o braço-direito de ‘Paulinho Maluco’, descrito como líder do Comando Vermelho no sertão central do Ceará, com uma vasta ficha de antecedentes criminais por tráfico de drogas e homicídios.
"Paulinho Maluco" é um dos nomes atribuídos ao traficante Anastácio Paiva Pereira, conhecido como Doze ou Paizão, que estava escondido na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro.
As ações a favor de Braguinha teriam sido autorizadas por Anastácio, que chegou a enviar Rikelme para coordenar a operação no município.
CHAPA DO PREFEITO CASSADA
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Prefeito Braguinha (à esquerda, de paletó azul) e vice Gardel
na cerimônia de diplomação (Foto: Reprodução)
Braguinha era prefeito de Santa Quitéria desde 2021 e foi reeleito em 2024. No entanto, ele acabou preso antes de tomar posse para o segundo mandato.
O Ministério Público Eleitoral (MPE) havia pedido a cassação dos suspeitos no fim do ano passado após investigação sobre a interferência do crime organizado nas eleições municipais.
De acordo com a acusação, Braguinha e seu vice praticaram ou se beneficiaram do abuso de poder político e econômico, comprometendo a legitimidade do pleito. Relatórios da Polícia Civil do Ceará indicam que eleitores foram coagidos por uma facção criminosa a não votar no candidato opositor, Tomás Figueiredo (MDB).
No dia 1º de julho, o Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) cassou o mandato do prefeito Braguinha e do seu vice-prefeito, Francisco Gardel Mesquita Ribeiro.
A Justiça Eleitoral agendou para o dia 26 de outubro a realização de eleições suplementares no município de Santa Quitéria.
AMEAÇAS DURANTE A DISPUTA
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Apoiadores de Tomás Figueiredo, candidato à Prefeitura de
Santa Quitéria em 2024, eramameaçados pelo
Comando Vermelho (Foto: Reprodução)
Membros do Comando Vermelho também ameaçavam cabos eleitorais que trabalhavam na campanha de Tomás Figueiredo, que disputou a prefeitura de Santa Quitéria contra Braguinha em 2024.
As ameaças eram enviadas por mensagens de WhatsApp e por pichações nos muros das casas dos apoiadores de Figueiredo.
Algumas das pichações continham as frases:
“Se apoia o Tomás, vai entrar no problema”,
“Fora Tomás. Bala no 15”
“Quem apoiar o Tomás vai entrar no problema com C.V. e a tropa do Paulinho Maluco”
“Quem apoiar o Tomás vai entrar na bala”
“Quem apoiar o 15 vai morrer”
O número 15 faz referência ao código de Tomás Figueiredo na urna eletrônica, filiado ao MDB.
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Comando Vermelho ameaçava quem apoiava o candidato
Tomás Figueiredo, rival de Braguinha nas eleições 2024 de
Santa Quitéria (Foto: Reprodução)
Em outros casos, as intimidações contra os apoiadores de Tomás foram ainda mais violentas, com disparos de armas de fogo contra as residências dessas pessoas, conforme documento ao qual o g1 teve acesso.
Conforme denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Ceará, os faccionados ordenavam também que casas com símbolos de apoio ao candidato do MDB fossem pichadas, e o grupo criminoso chegou a enviar ameaças anônimas ao Cartório Eleitoral do município.
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A chapa de Braguinha e Gardel foi eleita no primeiro turno das eleições de 2024 com 11.292 votos, o que corresponde a 41,1% dos votos válidos do município. O candidato opositor, Tomás Figueiredo, teve 8.106 votos, correspondente a 29,44% dos votos válidos.
Fonte: G1