Três anos após o escândalo, investigações confirmam que a manipulação contábil envolveu dezenas de executivos e causou prejuízos bilionários a investidores.
A fraude contábil bilionária na Americanas, considerada o maior escândalo da história do varejo brasileiro, completa três anos em janeiro com novas conclusões da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Segundo o órgão, o ex-CEO da companhia, Miguel Gutierrez, arquitetou e liderou o esquema, que envolveu manipulações contábeis e omissões deliberadas em demonstrações financeiras.
No total, 31 dos mais de 40 investigados pela polícia foram identificados pela CVM como participantes da fraude. Entre eles estão diretores, gestores e colaboradores de diversas áreas da empresa, que atuaram sem o conhecimento do Conselho de Administração ou dos comitês internos, segundo o órgão regulador.
As conclusões da CVM reforçam as investigações do Ministério Público Federal (MPF), que, em 2025, denunciou 13 ex-executivos por associação criminosa, falsidade ideológica e manipulação de mercado, incluindo Gutierrez e Anna Saicali, ex-CEO da B2W. Os prejuízos aos investidores são estimados em pelo menos R$ 22,8 bilhões.
Veja também

Protesto virtual no Roblox expõe debate sobre limites entre jogos online e redes sociais
O processo de apuração da CVM recomenda a punição individual dos envolvidos e alerta que permitir que a companhia se isente de responsabilidades seria um precedente perigoso para o mercado. O órgão destaca que os acionistas e demais investidores foram as principais vítimas do esquema e que a fraude foi cometida por diretores no exercício de suas funções estatutárias.
O escândalo veio à tona em 11 de janeiro de 2023, quando a Americanas informou ao mercado sobre inconsistências contábeis em seus balanços corporativos. Desde então, a companhia enfrenta dificuldades para se recuperar, enquanto investigações da Polícia Federal e do MPF continuam a detalhar a participação de cada executivo no esquema.
Segundo as apurações, Gutierrez tinha a “palavra final” para aprovar manipulações e aprovar demonstrações fraudulentas, inclusive durante sua atuação como presidente do Conselho da B2W. A fraude, conforme apontam as delações, envolvia emissão de valores mobiliários baseados em informações falsas e ações que beneficiavam o mercado financeiro de forma ilegal.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
O caso da Americanas segue como alerta sobre governança corporativa, destacando a importância de mecanismos de fiscalização interna e responsabilidade individual dos executivos. Três anos depois do colapso, o episódio permanece como um marco negativo no mercado brasileiro, e os processos judiciais continuam a se desenrolar.