Secas prolongadas e o aumento das temperaturas estão reduzindo a produção de cacau no mundo e podem tornar o chocolate cada vez mais raro e caro
Já pensou em ficar sem o chocolate da sobremesa? Não por dieta ou convicção, mas porque ele pode se tornar um produto tão caro e raro no mercado, que pode ser difícil encontrar um pedaço dele para comprar.
E como isso poderia acontecer? Porque o clima está mudando tanto e mundo ficando tão mais quente, que isso está afetando a produção de um dos doces mais populares do mundo.
A produção do cacau, matéria-prima do chocolate, depende de temperaturas estáveis e de umidade constante. A árvore do cacaueiro cresce apenas em regiões tropicais, próximas à linha do Equador. Mas, nos últimos anos, o aumento das temperaturas e a redução das chuvas têm afetado justamente os principais países produtores.
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Mais de 60% de todo o cacau do mundo vem de quatro países da África Ocidental: Costa do Marfim, Gana, Nigéria e Camarões. Esses países vêm enfrentando períodos de seca mais longos e calor mais intenso, o que tem reduzido as safras. O calor muda a delicada combinação do clima que é necessária para que o produto possa prosperar. No ano passado, ano mais quente que a Terra já enfrentou, a safra de cacau caiu e isso fez o preço disparar:
No Brasil, o cenário também preocupa. O país é um dos principais produtores de cacau do mundo, mas a maior parte das plantações fica no Nordeste, uma região cada vez mais quente e seca. A combinação de calor extremo, falta de chuva e avanço de pragas coloca em risco a produtividade.

O efeito chega direto ao bolso do consumidor. O chocolate ficou mais caro, e especialistas alertam que essa tendência pode continuar se as mudanças climáticas se agravarem. O impacto das mudanças climáticas na agricultura vai muito além do preço do chocolate. À medida que o planeta aquece, culturas inteiras ficam ameaçadas, e isso coloca em risco a segurança alimentar global.
As plantações de grãos, frutas e café dependem de um equilíbrio sensível entre temperatura, umidade e regime de chuvas. Quando esse equilíbrio se rompe — com secas prolongadas, ondas de calor ou enchentes — a produtividade cai.

Fotos: Reprodução
No Brasil, essa vulnerabilidade já é visível. O café, por exemplo, vem sendo afetado por temperaturas mais altas nas áreas tradicionais de cultivo em Minas Gerais e São Paulo. O arroz também sofre com a irregularidade das chuvas e com enchentes, como as que atingiram o Rio Grande do Sul.
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Esses impactos não são apenas econômicos: eles afetam diretamente a oferta de alimentos básicos e aumentam o custo da comida, um dos principais motores da inflação. O resultado é que o clima deixou de ser uma questão apenas ambiental — tornou-se um fator central de desigualdade e de insegurança alimentar no mundo.
Fonte: G1