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Como a IA pode ajudar a se preparar para o Enem (se você souber utilizar)
Foto: Reprodução

Ferramentas servem para otimizar o estudo, mas é preciso cuidado para não confiar demais na tecnologia; professor sugere prompt para planejamento

Com mais de 4,8 milhões de inscritos em 2025, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) exige dos estudantes uma intensa preparação. Para isso, vale contar com todos os recursos possíveis, entre eles a Inteligência Artificial (IA) – que já é realidade no dia a dia de muitos jovens e adultos. Embora ainda seja olhada com desconfiança, principalmente na área da educação, professores ouvidos dizem que essa tecnologia pode auxiliar na personalização de conteúdos indicados para estudo e no planejamento para a revisão final.

 

A IA ajudou o estudante Eduardo Rocha, e alguns colegas no pré-vestibular do Elite, parceiro da Plataforma Amplia, a classificar o nível de dificuldade das questões dos simulados feitos ao longo do ano, de modo similar à famosa TRI (Teoria de Resposta ao Item) do Enem. Eles usaram o ChatGPT, da OpenAI, para mapear os enunciados mais difíceis e sugerir estratégias para a prova. A ferramenta também foi utilizada para criar resumos e listas com questões baseadas em conteúdos previamente fornecidos, e para sanar algumas dúvidas – com dupla checagem feita em outra plataforma, a chinesa Deep Seek.

 

Eduardo admite que ficou um pouco inseguro ao usar a IA para apoio ao estudo, por medo de receber respostas e explicações incorretas. Porém, um fator fundamental deixou o estudante mais confiante.

 

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– Uma solução inicial foi introduzir medidas como o uso de múltiplas IAs para checar respostas e o fornecimento de material para elas se basearem. Mas o mais importante é que tenho os professores do curso que frequento, o que me dá uma segurança, por poder contar com essa fonte confiável.

 

A fala de Eduardo reforça uma recomendação sobre o uso da IA para estudo: a importância da orientação – e do olhar atento – dos professores. Deborah Anastácio, diretora pedagógica do Elite, conta que a escola desenvolveu um projeto piloto de curadoria de conteúdos personalizados para cada aluno, elaborados por uma plataforma de IA. A ferramenta atua como uma espécie de tutor no processo de aprendizagem, a partir do comando do professor.

 

– É preciso que esse professor, mais do que dê o comando, faça o acompanhamento. Ele consegue ver como cada aluno está indo, o que tem mais dificuldade. Se percebe que todo mundo está com muita dificuldade num assunto específico, então ele precisa entender que, mesmo que tenha ensinado esse conteúdo, precisa voltar nele porque não foi bem aprendido – diz a diretora do Elite, patrocinador, junto com a Plataforma Amplia, do Projeto Enem, canal com conteúdos especiais sobre a prova.


Ferramenta similar foi usada pelo Cubo Global School para auxiliar os alunos do 3º ano do Ensino Médio. Segundo o orientador educacional Leonardo Paschoal, a plataforma identificou, a partir dos simulados, quais habilidades os alunos acertaram ou erraram. Com base nesse diagnóstico, a IA gerou trilhas de estudo individualizadas, com exercícios voltados para corrigir as principais deficiências de cada estudante. Mas sempre com o acompanhamento humano, ressalta Leonardo.

 

– A IA mostra o caminho, mas cabe ao orientador ajudar o aluno a encaixar os exercícios na rotina e priorizar o que realmente importa para a revisão final do Enem.

 

Com apenas duas semanas de preparação até a primeira prova, no dia 9 de novembro, os professores recomendam que a IA seja usada para organizar o tempo e otimizar a revisão. Leonardo Paschoal indica o ChatGPT para montar um planejamento de estudo daqueles conteúdos em que o aluno tenha mais dificuldade. Ele sugere um prompt [instrução dada para a IA para obter a resposta]: “Sou aluno do 3º ano do ensino médio. Tenho dificuldade nas seguintes habilidades do Enem (listar). A prova acontecerá daqui duas semanas. Gostaria de um cronograma de estudo, que indique questões e exercícios a serem feitos”. Para a busca de conteúdos e tópicos específicos, ele recomenda o assistente Gemini, do Google.

 

Já a resolução das questões deve ficar mesmo na mão do aluno, aconselham os especialistas. Deborah Anastácio lembra que a IA pode ser utilizada como uma ferramenta de facilitação de aprendizagem, mas não pode substituir a capacidade intelectual.

 

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– Às vezes o aluno está mais cansado e, em vez de resolver as questões de alguma disciplina, joga na IA para achar as respostas. Só que isso não gera aprendizado – observa. – A IA é um apoio para dar uma direcionamento, mas não é ela que vai construir o conhecimento para o estudante.

 

Fonte: O Globo

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