Descargas elétricas podem causar desde queimaduras até paradas cardíacas, e deixam sequelas em grande parte dos sobreviventes.
Ser atingido por um raio é uma das ocorrências mais extremas envolvendo fenômenos naturais. A descarga elétrica liberada durante um raio pode ultrapassar 300 milhões de volts, percorrendo o corpo humano em frações de segundo. Esse fluxo intenso de energia térmica e elétrica é capaz de causar desde lesões superficiais até danos profundos em órgãos vitais, além de comprometer funções neurológicas essenciais.
No último domingo (25), um grupo de manifestantes ficou ferido em Brasília após uma descarga elétrica atingir a área onde aguardavam a chegada de uma passeata de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo dados oficiais, 72 pessoas receberam atendimento médico, e 29 foram levadas a hospitais da capital. Pelo menos oito vítimas apresentaram estado clínico grave, exigindo cuidados intensivos.
De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), os efeitos de um raio sobre o corpo humano vão muito além do momento do impacto. A principal causa de morte associada a esse tipo de acidente é a parada cardiorrespiratória, já que a corrente elétrica pode interromper instantaneamente o funcionamento do coração e do sistema respiratório.
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As estatísticas mostram a gravidade do fenômeno. Entre 20% e 30% das pessoas atingidas por raios não sobrevivem. Entre os sobreviventes, cerca de 70% desenvolvem sequelas prolongadas ou permanentes, que podem incluir distúrbios neurológicos, dificuldades motoras, perda de memória, alterações de humor, ansiedade, depressão e déficits cognitivos.
Quando a descarga atinge o corpo, o calor extremo pode causar queimaduras na pele, muitas vezes com desenhos ramificados conhecidos como “figuras de Lichtenberg”, marcas típicas provocadas pela eletricidade. Além disso, tecidos internos podem ser lesionados, mesmo quando não há sinais externos evidentes, o que dificulta o diagnóstico imediato.

Foto: Reprodução
O sistema nervoso central é um dos mais afetados. A eletricidade pode provocar danos cerebrais, convulsões, perda temporária ou permanente da consciência, além de alterações no funcionamento dos nervos periféricos. Em alguns casos, os efeitos neurológicos só se manifestam dias ou semanas após o acidente.
O impacto também compromete órgãos como pulmões e coração. A contração muscular intensa causada pela corrente elétrica pode provocar fraturas, deslocamentos e lesões musculares. Há ainda o risco de a vítima ser arremessada pela força do choque, resultando em traumas adicionais, como traumatismo craniano ou lesões na coluna.
Atingir diretamente o corpo não é a única forma de exposição. A descarga elétrica pode alcançar uma pessoa de maneira indireta, por meio do solo, de estruturas metálicas, árvores, postes ou objetos que tenham sido atingidos pelo raio. Por isso, estar próximo ao ponto de impacto já representa alto risco.
Embora seja considerado um evento raro com probabilidade estimada de uma em um milhão, segundo o Inpe, os riscos aumentam significativamente em ambientes abertos, áreas elevadas ou durante tempestades intensas, comuns em determinadas regiões do país.
Para se proteger, a principal recomendação das autoridades de saúde é evitar sair de casa durante tempestades com raios. Caso não seja possível buscar abrigo e a pessoa esteja ao ar livre, sinais como formigamento na pele, coceira ou arrepio dos pelos indicam risco iminente. Nessa situação, o Ministério da Saúde orienta que a pessoa se agache, incline o tronco para frente, coloque as mãos sobre a cabeça e mantenha os pés juntos, evitando deitar no chão.
Veículos fechados são considerados abrigos seguros, desde que portas e janelas permaneçam fechadas e não haja contato com a lataria. Também é fundamental manter distância de árvores isoladas, postes, cercas, linhas de energia, estruturas metálicas e evitar o uso de equipamentos elétricos ou telefones durante tempestades.
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Especialistas reforçam que, diante de qualquer suspeita de choque por raio, a vítima deve receber atendimento médico imediato, mesmo que os sintomas pareçam leves, pois os danos internos podem evoluir silenciosamente e colocar a vida em risco horas ou dias após o acidente.