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Como o GP de São Paulo se tornou um pesadelo logístico para a Fórmula 1
Foto: Andrew Hone/Pirell

O Autódromo José Carlos Pace, em Interlagos, São Paulo

Não é que o esquema brasileiro não funcione: a carga mais 'preciosa', os carros e motores, as oito toneladas de equipamentos de transmissão e afins chegam no Aeroporto de Viracopos e são escoltados até Interlagos. O restante - os painéis das garagens e tudo o que é mais barato - vem por via marítima, como acontece em todas as outras provas fora da Europa. O problema é que o calendário da Fórmula 1 está inflado, cheio de comprometimentos por uma série de motivos, e o Brasil é longe de todas as outras etapas, ao mesmo tempo em que a categoria tenta bater metas de sustentabilidade.

 

É esse o motivo para a posição do etapa brasileira ter ocupado duas posições diferentes nos últimos anos, o que não afeta muito a data para o torcedor, mas é uma mudança grande em termos de logística das pessoas que trabalham no esporte: ora a etapa fica 'sozinha', sem provas antes ou depois, ora é parte de um chamado 'triple header', três corridas em três finais de semana seguidos.

 

Neste ano, o GP não tem 'vizinhos'. Vai ocorrer cerca de duas semanas depois do México e duas semanas antes de Las Vegas. Em 2026, será a última perna da sequência que começa em Austin, nos Estados Unidos, e depois vai para a Cidade do México.

 

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E o consenso é que não existe a maneira perfeita de encaixar o Brasil no atual calendário: ou você economiza em tempo de viagem e gera um enorme desgaste de quem trabalha no esporte, ou as pessoas cruzam o oceano Atlântico quatro vezes e evitam trabalhar direto por três semanas.
Sim, há duas maneiras de ver isso. Se você dá uma semana de folga, as pessoas voam de volta para casa, o que você pode dizer que é melhor para o corpo, mas do ponto de vista da sustentabilidade, eles têm que voltar de volta na corrida seguinte. Com as três provas seguidas, há uma janela muito menor e você reduz o footprint dos passageiros.

 

 

Em termos de equipamento, nada muda, pois, de qualquer maneira, os carros vão do México para o Brasil, e do Brasil para Las Vegas, independentemente de como o calendário está organizado.

 

E também são três carregamentos marítimos de qualquer forma: o que estava em Austin depois é levado a Las Vegas. Há um segundo para o México e um terceiro para o Brasil. Isso é impossível mudar por conta dos prazos para a viagem. No total, ao longo da temporada, são usados de cinco a seis cargas marítimas diferentes para atender todas as 24 corridas.

 

Para a DHL, que provê todas as soluções logísticas para a F1 e todo seu equipamento tanto para montar o paddock, as áreas mais VIP e o que é necessário para gerar as imagens que são transmitidas ao redor do mundo, as equipes e até as emissoras de TV que cobrem o esporte in loco, as rodadas triplas significam que há três equipes trabalhando em cada um dos locais em que a F1 corre quase simultaneamente.

 

Para nós, e muitas equipes estão adotando isso, cada funcionário pode escolher não ir para três corridas no ano e, se você escolher bem, consegue evitar as corridas triplas. E muitos times agora, incluindo a gente, vão ter uma equipe de montagem, a equipe de corrida e a equipe de desmontagem. O problema com as rodadas triplas é que haverá um momento em que você vai precisar de três pessoas [uma em cada local

 

Explico: o material que chega por meio de navios vai ser montado por uma equipe que nada tem a ver com os mecânicos que vão trabalhar no final de semana de corrida. Eles começam a ir para a pista na quarta-feira antes da corrida, para montar o carro, que vai ser finalizado na quinta, para correr na sexta. Eles mesmos vão desmontar o carro no domingo à noite para que ele seja transportado, por via aérea, mais rapidamente, e uma terceira equipe vai chegar depois disso para colocar os painéis e todo o resto nos containers para o envio marítimo. Do Brasil, tudo vai voltar para as fábricas para ser renovado para o ano seguinte.

 

Então do ponto de vista logístico, pensando em sustentabilidade, tudo já foi muito mais racionalizado em comparação a um tempo, e o paralelo de Fowles é ótimo, em que "as equipes faziam a mudança da casa inteira para consertar uma máquina de lavar roupa".
O problema, atualmente, e para a F1 atingir sua meta de carbono zero em 2030, do ponto de vista da logística, é mais a gestão das viagens das pessoas.

 

QUANDO OS CARROS QUASE NÃO FICARAM PRONTOS NO BRASIL

 

Então, desse ponto de vista, é melhor fazer Austin, México e Brasil sem 'descansos', certo? Mas há seus riscos. Especialmente quando estamos falando de longas distâncias, como os 7400 km entre a Cidade do México e São Paulo, e um curto espaço de tempo.
O carregamento com os carros viaja na segunda, quando três aviões - a F1 usa oito aviões 777 para transportar os equipamentos - tiveram a saída no México atrasada em 2021.

 

 

Sim, foi apertado. O que aconteceu foi que houve um problema de peso da carga do avião para levantar voo com muita neblina, o que significou que tivemos que tirar combustível. Porém, pela altitude do México, não dava para fazer isso, então precisamos esperar a janela certa e voar para um lugar mais perto. Fomos para Miami reabastecer para chegar ao Brasil.

 

Chegamos na quinta. E a montagem dos carros é geralmente na quarta. Há um toque de recolher e tudo mais. Mas temos a oportunidade de ir para a FIA e dizer que foi algo de força maior, para estender o toque de recolher e não passar essa pressão para as equipes. É uma opção que temos, não gostamos de usar muito, mas nesse caso não tivemos escolha

 

Não é por acaso que está surgindo no paddock a conversa de que o Brasil pode voltar para o início do calendário. Mas ainda assim não há uma solução ideal. A temporada tem começado na Oceania e depois Leste Asiático e Oriente Médio por conta das datas do ramadã. Normalmente, começaria no próprio Oriente Médio. É difícil encontrar um jeito lógico de incluir o Brasil ali.

 

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Mas os organizadores do GP se dizem abertos a uma mudança de data se houver a necessidade. "É mais uma questão logística da própria F1 e de encaixar no calendário de grandes eventos da cidade. De qualquer forma, estamos sempre abertos a melhorar a experiência da F1 em São Paulo", disse o CEO do GP de São Paulo, Alan Adler, ao UOL Esporte.

 

Fonte: UOL
 

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