A cenoura, com queda de 10,4% (-36,9% em um ano), registrou o maior recuo entre os alimentos
A inflação de um ano subiu 5,53%, acima da meta perseguida pelo Banco Central (BC), que é de 3%, e do teto, de 4,5%. Por sete meses seguidos, desde outubro, o IPCA vem estourando o teto da meta.
Dos nove grupos de produtos e serviços cujos preços são pesquisados pelo IBGE, oito registraram altas em abril. O aumento no grupo Alimentos e Bebidas arrefeceu para 0,82%, ante 1,17% em março, mas mesmo assim teve o maior impacto no índice, de 0,18 ponto percentual.
Outra pressão significativa foi dos produtos farmacêuticos, que subiram 2,32% após o governo federal autorizar reajustes de até 5,09% nos medicamentos, puxando a alta do grupo Saúde e Cuidados pessoais para 1,18%.O arrefecimento da inflação do grupo Alimentos em abril ocorreu porque itens importantes da cesta de consumo ficaram mais baratos, explicou Fernando Gonçalves, gerente de pesquisa do IPCA. Foi o caso de carnes (-0,08%), arroz (-4,19%) e ovo (-1,29%). A cenoura, com queda de 10,4% (-36,9% em um ano), registrou o maior recuo entre os alimentos.
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O item Transportes teve queda de 0,38% — combustíveis e passagens aéreas ficaram mais baratos. A boa notícia aponta para a perspectiva de queda nas cotações do petróleo por causa da guerra comercial do presidente americano, Donald Trump, o que deve manter os preços dos combustíveis comportados.
Com o ciclo de alta da Selic — a taxa básica de juros subiu 0,5 ponto percentual esta semana, para 14,75% ao ano — chegando perto do fim, como sinalizou o próprio Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, na quarta-feira, uma alta menor dos alimentos poderia sinalizar que a inflação começou a ceder. Mas a composição do IPCA de abril não trouxe boas perspectivas sobre isso, destacaram economistas.
Luís Otávio Leal, economista-chefe da gestora G5 Partners, escreveu em relatório que a desaceleração de abril veio com um “gosto amargo na boca”. Igor Cadilhac, economista da empresa de pagamentos PicPay, avaliou que “qualitativamente, o resultado foi desfavorável”, e o analista do banco Goldman Sachs Alberto Ramos ressaltou que “as pressões inflacionárias continuam fortes e altamente disseminadas”.
A disseminação apareceu no próprio grupo Alimentos e Bebidas. O “índice de difusão” — que mede a proporção dos itens que tiveram alta em determinado período, em relação ao total de itens pesquisados — dos produtos alimentícios subiu para 70% em abril, ante 55% em março. Com isso, a difusão total do IPCA subiu para 67%, ante 61% em março, a maior desde dezembro.
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Além dos alimento, o encarecimento dos serviços vem preocupando nos últimos meses. Os serviços ficaram 0,2% mais caros em abril, ritmo mais brando do que o 0,62% de março — mas o resultado foi impactado pela queda nas passagens aéreas, cujos preços variam muito mês a mês. Em 12 meses, os serviços acumulam alta de 6,03%, bem acima do teto da meta.
Fonte: O Globo