As polícias Civil e Militar e o Ministério Público do Rio deflagraram, nesta quarta-feira, uma operação no Complexo do Alemão, na Zona Norte da capital, para desarticular o núcleo financeiro do Comando Vermelho — o esquema é conhecido como "Caixinha do CV". Houve intenso tiroteio na chegada das equipes.
Um PM do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e dois suspeitos foram feridos, informou o Bom Dia Rio, da TV Globo. De acordo com relatos de moradores ao telejornal, desde a noite de terça-feira traficantes se movimentam pelo conjunto de favelas para bloquear ruas com barricadas e espalhar óleo em algumas delas — um caveirão derrapou. A polícia investiga se houve vazamento da ação, informou o Bom Dia.
De acordo com a Polícia Civil, os agentes visam a cumprir medidas cautelares expedidas pela Justiça não só no Alemão mas também em outras regiões do Rio. Ao todo, são 14 mandados de prisão — sete pessoas já foram presas e encaminhadas para a Cidade da Polícia, afirmou o Bom Dia Rio. Os alvos nesta fase a ação — no âmbito da Operação Torniquete — são parentes e operadores do fundo financeiro do CV. Entre eles, de acordo com a TV Globo, está Edgar Alves de Andrade, o Doca, um dos chefões da facção.
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Dez caveirões da Polícia Militar estão no Alemão, de acordo com o telejornal. O jornal comunitário "Voz das Comunidades" postou, em seu perfil no Instagram, que um deles não conseguiu transitar numa rua onde foi espalhado óleo. O blindado, segundo o "Voz", deslizou e atingiu dois carros e uma motocicleta. Agentes usaram até maçaricos para retirar barricadas.
Todos os alvos da operação foram denunciados pelo Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MP, à Justiça pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro, relacionados ao tráfico de drogas e à ocultação de valores ilícitos em mais de 4.888 operações financeiras, totalizando R$ 21.521.290,38.
Além do Alemão, há mandados sendo cumpridos em Bangu, Jacarepaguá, Engenho da Rainha, Ramos, Copacabana, Cordovil, Santo Cristo, no município de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e no Instituto Penal Vicente Piragibe, no Complexo Penitenciário de Gericinó. Também há mandados sendo cumpridos nos estados da Bahia e da Paraíba.
De acordo com o Gaeco a "Caixinha do CV" sustenta as atividades criminosas da organização criminosa. O sistema funciona graças a taxas cobradas mensalmente de chefes de pontos de venda de drogas nas comunidades dominadas pela facção. Em troca, os responsáveis pelas bocas de fumo têm acesso à marca da organização, fornecedores de entorpecentes, suporte logístico e apoio bélico.
Ainda segundo a denúncia do Gaeco, os valores arrecadados são usados para financiar ações como compra de drogas e armas, expansão territorial, pagamento de propinas, assistência a integrantes presos e crimes extorsões, roubos de cargas e veículos, além da exploração monopolizada de serviços de internet.
As investigações sobre a "Caixinha do CV" começaram em 21 de maio de 2019, com a prisão em flagrante de Elton da Conceição, conhecido como “PQD da CDD”, na Cidade de Deus, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio. Na ocasião, foram apreendidos armas, munição e documentos que revelaram um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro operado pelo Comando Vermelho. Entre os materiais recolhidos, estavam comprovantes de depósitos bancários, que permitiram rastrear movimentações financeiras ilícitas para financiar as atividades da facção criminosa.
A primeira fase da operação, deflagrada em 2020, foi concentrada na identificação do fluxo financeiro vinculado ao CV. Essa etapa resultou no indiciamento de 84 pessoas e na apreensão de documentos que detalhavam o funcionamento da "Caixinha", o fundo financeiro que sustenta a organização criminosa.
Com base nas evidências, foram autorizadas as quebras de sigilo fiscal e bancário dos investigados, o que fez com que os investigadores tivessem acesso detalhado às movimentações financeiras suspeitas. Essas análises foram realizadas pelo Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD), vinculado ao Departamento-Geral de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DGCCOR-LD).
Por causa da operação no Complexo do Alemão, as clínicas da família Zilda Arns e Rodrigo Y Aguilar Roig suspenderam o funcionamento nesta quarta-feira. Houve impacto, também, na circulação de ônibus. Segundo o Rio Ônibus, seis linhas estão com desvios de itinerários. São elas:
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621 (Penha x Saens Penha)
622 (Penha x Saens Penha)
623 (Penha x Saens Penha)
625 (Olaria x Saens Penha)
679 (Grotão x Méier)
312 (Penha x Candelária)
Fonte:Extra