Tom Goodhead, CEO do Pogust Goodhead, afirma, ainda, que processo indenizatório milionário contra o Greenpeace ameaça liberdade de expressão
Para Tom Goodhead, advogado e CEO do escritório Pogust Goodhead, especializado em ações coletivas internacionais ligadas a causas sociais e ambientais, o processo bilionário realizado por uma empresa oleodutos dos Estados Unidos contra o grupo ambientalista Greenpeace é uma tentativa de silenciar ativistas, organizações e comunidades vulneráveis.
Ainda segundo o especialista, que lidera a ação contra a mineradora BHP pelo desastre ambiental da barragem de Fundão, em Mariana, ocorrido em 2015, a ação é “profundamente preocupante e uma séria ameaça à liberdade de expressão e ao ativismo ambiental”.
Um júri da Dakota do Norte, nos EUA, condenou o grupo ambientalista Greenpeace a pagar uma indenização de mais de US$ 660 milhões (aproximadamente R$ 3,7 bilhões) à empresa de oleodutos Energy Transfer.
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A companhia processou a instituição ativista do meio ambiente por seu papel em protestos ocorridos em 2016, quando milhares se reuniram para manifestar contra o oleoduto Dakota Access Pipeline (DAPL), que recebeu, naquele ano, licenças para construção na reserva indígena de Standing Rock, ocupada por indígenas Sioux.
Os manifestantes foram apoiados por outros governos tribais, políticos, grupos de direitos civis, celebridades e grupos de defesa ambiental – entre eles o Greenpeace.
De acordo com o advogado principal da Energy Transfer, o Greenpeace financiou e apoiou ataques e protestos que atrasaram a construção do oleoduto, aumentaram os custos e prejudicaram a reputação da empresa.
O júri da Dakota do Norte, formado por 9 pessoas, considerou, na quarta-feira (19/3), que o Greenpeace cometeu invasão, difamação e conspiração dentre outras acusações. Após a decisão, o grupo publicou uma nota afirmando que não será silenciado.
Segundo os ativistas, a construção do oleoduto atravessa o Lago Oahe e ameaça o abastecimento de água da reserva até hoje.
“Em todo o mundo, processos como esse têm sido usados cada vez mais para silenciar ativistas, organizações e comunidades vulneráveis — numa tentativa clara de sufocar vozes que desafiam os interesses das empresas poderosas”, afirma Tom Goodhead.
Para ele, o veredito contra o Greenpeace “apenas reforça a urgência de seguirmos mobilizados e firmes na defesa de direitos fundamentais e na responsabilização daqueles que poluem.”
O advogado, que representa as vitimas do desastre de Mariana, diz, ainda, que ele e seus clientes conhecem de perto “os enormes desafios enfrentados por quem ousa se posicionar contra abusos cometidos por grandes corporações.”
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“A decisão contra o Greenpeace é profundamente preocupante e representa uma séria ameaça à liberdade de expressão e ao ativismo ambiental”, finalizou o advogado.
Fonte: Metrópoles