Além disso, 73% dos brasileiros consideram as escolas pouco ou nada seguras para crianças e adolescentes; dados são da pesquisa Infinis/Quaest
Apenas três em cada 10 pais e responsáveis dizem confiar muito nas instituições de ensino do país. O índice caiu de 55%, em 2021, para 30% neste ano. Já os que afirmam confiar pouco chegaram a 55%. Os dados são da nova etapa da pesquisa “Atitudes e percepções sobre a infância e violência contra crianças e adolescentes”, realizada pelo Instituto Futuro é Infância Saudável (Infinis) em parceria com a Quaest e divulgada nesta quarta-feira (30).
A pesquisa foi realizada entre 29 de maio e 7 de junho de 2026, com 2.202 brasileiros de 18 anos ou mais. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. Em 2021, a categoria com maior percentual era “confia totalmente”, seguida por “confia em parte”. Já em 2026, a maior parcela passou a estar em “confia muito”, seguida por “confia pouco”.
Entre as instituições e profissionais que atuam na proteção de crianças e adolescentes, psicólogos e serviços de aconselhamento são os que concentram o maior percentual de pessoas que dizem confiar muito, com 60% das respostas. Na sequência aparecem a polícia (49%), o Conselho Tutelar e o Disque Denúncia ou Disque 100 (ambos com 46%).
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Na outra ponta, apenas 19% dizem confiar muito em abrigos e ONGs. A Justiça aparece com 35%, seguida pela igreja (39%), por UBSs, hospitais e clínicas (40%) e por assistentes sociais ou CRAS (42%). Algumas porcentagens não somam 100% porque não estão incluídas as respostas “nem concorda nem discorda”, “não sabe” e as pessoas que não quiseram responder.
SEGURANÇA NA ESCOLA
O estudo mostra ainda que 73% dos brasileiros consideram as escolas pouco ou nada seguras para crianças e adolescentes, enquanto 26% as avaliam como seguras. A percepção de insegurança predomina em todas as regiões do país, mas varia de 66%, no Sul, a 76%, no Sudeste. O índice é de 73% no Norte, 72% no Centro-Oeste e 70% no Nordeste.
Entre os que consideram o ambiente escolar pouco ou nada seguro, 70% apontam a violência entre os próprios alunos como um dos motivos, 8% citam agressões praticadas por professores ou outros profissionais contra estudantes e 18% mencionam as duas situações. A violência entre os alunos também aparece como motivo em todas as regiões: 79% no Norte, 77% no Centro-Oeste, 71% no Nordeste, 70% no Sudeste e 61% no Sul.
A percepção de insegurança também varia de acordo com o tipo de escola. Entre os entrevistados, 72% consideram as escolas públicas pouco ou nada seguras, ante 59% dos que avaliam as instituições privadas dessa forma. No recorte regional, a percepção de insegurança chega a 76% no Sudeste, 73% no Norte, 72% no Centro-Oeste, 70% no Nordeste e 66% no Sul.
Entre os que consideram a escola pouco ou nada segura, 70% apontam a violência entre os próprios alunos como um dos motivos. O percentual chega a 79% no Norte e 77% no Centro-Oeste, enquanto é de 71% no Nordeste, 70% no Sudeste e 61% no Sul. Outros 8% citam violência praticada por professores ou outros profissionais contra estudantes, e 18% mencionam as duas situações. As demais respostas somam 4%.
Quando questionados sobre o que poderia tornar as escolas mais seguras, 23% apontam uma maior participação das famílias no ambiente escolar e outros 23% defendem professores mais preparados para identificar situações de violência. Na sequência aparecem parcerias com Conselho Tutelar, Saúde e Assistência Social (19%), psicólogos e apoio dentro da escola (17%) e ações de prevenção e orientação sobre violência (12%).
Em uma situação de agressão contra o filho, procurar uma autoridade na escola é a principal orientação dada pelos pais e responsáveis, tanto entre aqueles com filhos em escolas públicas (77%) quanto entre os que têm filhos em escolas privadas (71%).
Já 16% dos responsáveis por alunos da rede pública dizem que orientariam o filho a devolver a agressão, percentual que cai para 9% entre os da rede privada. Afastar-se dos agressores é citado por 5% na rede pública e 7% na privada, enquanto fazer um boletim de ocorrência aparece em 4% e 6%, respectivamente.
SEGURANÇA DIGITAL
Oito em cada dez brasileiros (89%) consideram que crianças e adolescentes estão muito vulneráveis a crimes e violências na internet. A percepção é elevada em todas as regiões do país: chega a 93% no Centro-Oeste e 92% no Sudeste, seguidos por Nordeste (88%), Sul (86%) e Norte (82%)
Além da percepção de risco, o levantamento identificou situações concretas envolvendo crianças e adolescentes conhecidos pelos entrevistados. Um em cada três brasileiros (33%) afirma conhecer alguma criança ou adolescente que já foi humilhado, xingado ou sofreu bullying ou constrangimento social na internet. O percentual chega a 38% no Sudeste, seguido por Centro-Oeste (34%), Nordeste (32%), Norte (31%) e Sul (23%).
Outras formas de violência também aparecem no levantamento: 25% dizem conhecer alguma criança ou adolescente que recebeu mensagens de conteúdo sexual; 20% relatam casos de convites para encontros presenciais com estranhos; 18% conhecem situações de divulgação de informações pessoais com o objetivo de intimidar ou perseguir; e 10% afirmam conhecer crianças ou adolescentes que tiveram imagens falsas e constrangedoras criadas por inteligência artificial.
A necessidade de acompanhamento das interações on-line pelas famílias é praticamente consensual: 96% consideram que pais ou responsáveis deveriam supervisionar o conteúdo acessado por crianças e adolescentes.
— Os dados mostram que os riscos no ambiente digital são percebidos pela população e também aparecem em situações concretas vivenciadas por crianças e adolescentes. Nesse sentido, a sanção do ECA Digital representa um avanço importante diante dos desafios trazidos pela exposição cada vez mais precoce e intensa às telas e redes sociais. A infância e adolescência merece atenção especial, por ser um período de profundas transformações físicas, emocionais e identitárias e ainda pouco priorizado nas políticas públicas. Garantir um ambiente digital mais seguro nessa fase é fundamental não apenas para a saúde e o desenvolvimento das novas gerações, mas também para sua futura participação social e cidadania — afirma Márcia Kalvon, diretora-executiva do Infinis.
Na prática, porém, o acompanhamento diminui à medida que a idade avança. Entre crianças de 0 a 5 anos que acessam a internet, 94% têm o uso supervisionado. O percentual cai para 92% entre 6 e 11 anos, 88% entre 12 e 14 anos e chega a 68% entre adolescentes de 15 a 17 anos — ou seja, quase um terço (32%) não tem supervisão.
Quando questionados sobre medidas de proteção, o bloqueio de conteúdos perigosos é a alternativa mais citada tanto para crianças de até 11 anos (56%) quanto para adolescentes de 12 a 17 anos (49%). Para os mais novos, também aparecem observar contas e conversas (49%) e limitar o tempo de uso das redes sociais (46%). Entre os adolescentes, monitorar contas e conversas e limitar o tempo de uso são citados por 44% em cada caso, mesmo percentual dos que defendem orientar o uso sem invadir a privacidade.
— A pesquisa traz à luz a grande preocupação que os brasileiros têm em relação ao uso da internet por crianças e adolescentes, e aponta quais caminhos a população acredita que podem reduzir a vulnerabilidade dos jovens, como bloqueio de conteúdos perigosos e maior orientação para o uso seguro — destaca Felipe Nunes, sócio-fundador da Quaest.
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A proibição das redes sociais é defendida por 23% para crianças de até 11 anos e por 15% para adolescentes de 12 a 17 anos. Já apenas 2% consideram que o uso deve ser deixado totalmente livre em ambas as faixas etárias.