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Conflito no Irã derruba bolsas, fortalece dólar e ameaça fluxo para emergentes
Foto: Divulgação

Escalada no Oriente Médio eleva petróleo, amplia aversão ao risco e interrompe movimento de capital estrangeiro para países como o Brasil

A intensificação da guerra no Irã provocou forte turbulência nos mercados globais e levou investidores a reduzirem exposição a ativos de risco, especialmente em países emergentes. A Bolsa brasileira recuou mais de 3% nesta terça-feira (3), acompanhando quedas registradas em México, Chile, Índia e China. Mercados desenvolvidos, como Estados Unidos e Europa, também operaram em baixa, em meio à busca por ativos considerados mais seguros.

 

O movimento, conhecido como flight-to-safety (fuga para a segurança), também atingiu o índice MSCI de Mercados Emergentes, que caiu cerca de 4%, refletindo a retirada de recursos dessas economias.

 

Segundo analistas, a escalada do conflito foi inesperada e alterou significativamente o cenário de alocação global. O episódio, que culminou na morte do aiatolá Ali Khamenei e ampliou as tensões na região, aumentou a percepção de risco e interrompeu a tendência recente de diversificação de carteiras para países emergentes.

 

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Até então, investidores vinham direcionando recursos a mercados com maior potencial de retorno e menos expostos às incertezas políticas e comerciais dos Estados Unidos sob o governo de Donald Trump. Esse movimento levou a Bolsa brasileira de 160 mil pontos no fim de 2025 para recordes próximos a 191 mil pontos no final de fevereiro, com forte entrada de capital estrangeiro.

 

PETRÓLEO NO CENTRO DAS ATENÇÕES

 

O principal temor do mercado é uma interrupção prolongada na oferta global de energia. O Irã responde por cerca de 3% da produção mundial de petróleo e exerce influência estratégica sobre o Estreito de Hormuz, rota por onde passa aproximadamente 20% do petróleo global.

 

Após ataques dos Estados Unidos e de Israel, o Irã anunciou o fechamento do estreito, enquanto o Catar suspendeu temporariamente a produção de gás natural liquefeito. O cenário elevou os preços das commodities: o petróleo Brent já acumula alta superior a 11%, e o gás europeu disparou mais de 50% desde o início das tensões.

 

Se o conflito se prolongar, os preços mais altos de energia podem gerar novo impulso inflacionário, especialmente em economias que já iniciaram ciclos de corte de juros, como os Estados Unidos.

 

DÓLAR VOLTA A GANHAR FORÇA

 

A aversão ao risco também reposicionou o dólar como principal refúgio global. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana frente a seis divisas fortes, avançou quase 1,5% desde segunda-feira.

 

No Brasil, o dólar disparou 1,87% frente ao real, encerrando o dia cotado a R$ 5,261, após atingir máxima de R$ 5,343. Apesar da alta recente, analistas avaliam que a tendência estrutural de enfraquecimento da moeda americana pode se manter no longo prazo — ainda que com volatilidade no curto prazo.

 

Especialistas destacam que, em momentos de estresse global, o dólar tende a concentrar a demanda por liquidez, independentemente das perspectivas de médio prazo.

 

FLUXO PARA EMERGENTES EM XEQUE

 

A continuidade da retirada de recursos dependerá da duração e intensidade do conflito. Caso haja rápida contenção das tensões e normalização da cadeia de energia, o fluxo estrangeiro pode ser retomado. No entanto, a multiplicidade de variáveis em aberto mantém o ambiente de elevada incerteza.

 

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Para o mercado, quanto maior o número de “condicionais” no cenário como controle da inflação, estabilidade geopolítica e retomada do apetite por risco maior tende a ser a volatilidade nos preços dos ativos. 

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