Para presidente da companhia no país, instabilidade no Oriente Médio pode redirecionar capital global para o pré-sal brasileiro.
O presidente da Shell Brasil, Cristiano Pinto da Costa, afirmou nesta terça-feira (3) que a guerra no Irã pode alterar o fluxo global de investimentos no setor de petróleo, favorecendo países considerados geopoliticamente estáveis, como o Brasil. Segundo ele, ainda é cedo para medir os impactos do conflito, mas a instabilidade no Oriente Médio pode influenciar decisões estratégicas das grandes petroleiras.
Durante café da manhã com jornalistas no Rio de Janeiro, o executivo destacou que é plausível que companhias globais redirecionem capital de regiões mais tensionadas para mercados com menor risco geopolítico. Na avaliação dele, o Brasil reúne condições favoráveis, como histórico de estabilidade institucional, produção relevante no pré-sal com menor intensidade de carbono e posição consolidada como produtor confiável.
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Ele ressaltou, no entanto, que o país precisa manter estabilidade regulatória, competitividade tributária e agilidade no licenciamento ambiental para aproveitar uma eventual migração de investimentos.
O encontro com a imprensa havia sido agendado antes dos primeiros ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. De acordo com Pinto da Costa, a prioridade da companhia no momento é garantir a segurança de funcionários e ativos na região afetada pelo conflito.
Apesar da alta recente nas cotações internacionais do petróleo, o executivo considera prematuro projetar efeitos mais amplos sobre a economia global. Segundo ele, o impacto dependerá principalmente da duração do conflito e de possíveis desdobramentos, como o fechamento do Estreito de Hormuz rota estratégica para o transporte de petróleo e derivados.
O Brasil, contudo, não depende dessa rota para seu comércio exterior de petróleo e combustíveis. A maior parte das exportações da Petrobras e da própria Shell tem como destino a China. Ainda assim, o aumento no custo do frete marítimo pode gerar efeitos indiretos na comercialização do petróleo brasileiro no curto prazo.
Atualmente, a Shell é a segunda maior produtora e exportadora de petróleo do país e mantém parceria com a Petrobras nos principais campos do pré-sal. Nos últimos anos, ampliou sua atuação exploratória ao adquirir 44 novos blocos em leilões federais.
A companhia também está concluindo uma campanha de pesquisa sísmica na porção sul da Bacia de Santos, considerada sua principal aposta no Brasil, e avalia perfurar o primeiro poço exploratório em até quatro anos. Além disso, prepara-se para iniciar, até 2029, a operação de uma nova plataforma no campo de Orca, na Bacia de Campos. Recentemente, a empresa anunciou a venda de 20% desse projeto para uma companhia do Kuwait.