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Conflito no Oriente Médio se intensifica e Irã ataca bases de grupos separatistas após movimentação dos EUA
Foto: Divulgação

Teerã reage a supostas articulações americanas com milícias étnicas na região e amplia tensão ao atingir alvos próximos às fronteiras

A guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã ganhou novos desdobramentos nesta semana e elevou ainda mais a tensão no Oriente Médio. O governo iraniano realizou ataques contra áreas próximas às suas fronteiras nesta quinta-feira (5), alegando temer que Washington esteja estimulando movimentos separatistas dentro do país.

 

Segundo relatos divulgados por veículos internacionais, o presidente americano Donald Trump teria mantido contato com líderes de milícias curdas iranianas que atuam a partir do território do Iraque. De acordo com essas informações, os Estados Unidos teriam oferecido apoio aéreo caso os grupos realizassem operações contra o Irã a partir da fronteira.

 

A possibilidade de incentivo a revoltas internas preocupa o governo iraniano, que teme o agravamento de conflitos étnicos na região. O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, afirmou que grupos separatistas não devem interpretar o atual cenário como uma oportunidade para agir.

 

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Um dos principais alvos das ações militares iranianas foi o Curdistão iraquiano. Teerã afirmou ter atingido sete bases de milícias que operam de forma semi-autônoma e mantêm contato com os Estados Unidos. Segundo a agência estatal Irna, três mísseis foram lançados contra sedes de grupos curdos opositores ao regime iraniano.

 

O Iraque já havia sido palco de ataques relacionados ao conflito. Bases americanas no país foram atingidas por drones e mísseis lançados por grupos aliados do Irã. Na cidade de Irbil, no norte iraquiano, milícias pró-Teerã também realizaram ações contra alvos ligados aos Estados Unidos.

 

Relatórios também indicam que a CIA estaria avaliando fornecer armas a grupos curdos no Iraque, com o objetivo de estimular uma ofensiva transfronteiriça contra o Irã. Um porta-voz do Partido da Liberdade do Curdistão afirmou que representantes americanos procuraram integrantes do grupo e que suas forças permanecem mobilizadas na região de fronteira.

 

Os curdos representam cerca de 10% da população iraniana, estimada em 93 milhões de pessoas. Historicamente, a comunidade mantém tensões com o governo central e reivindica maior autonomia. Em 2022, protestos massivos ocorreram após a morte da jovem curda Mahsa Amini sob custódia policial, episódio que provocou manifestações em todo o país.

 

Diante do risco de ampliação do conflito, o presidente da região autônoma do Curdistão iraquiano, Nechirvan Barzani, afirmou que seu território não deve ser usado como palco para confrontos.

 

Outro episódio que elevou a tensão ocorreu no Azerbaijão. Dois drones atingiram o aeroporto de Nakhchivan, deixando pelo menos quatro feridos. A instalação fica a cerca de 10 quilômetros da fronteira com o Irã. O governo iraniano negou responsabilidade pelo ataque e sugeriu que a ação poderia ter sido realizada por Israel com o objetivo de deteriorar as relações entre os dois países.

 

Mesmo assim, o Azerbaijão convocou o embaixador iraniano para prestar esclarecimentos e decidiu fechar temporariamente seu espaço aéreo para voos vindos do Irã.

 

A região também apresenta complexidade étnica. Cerca de 25% da população iraniana é de origem azeri, grupo que possui forte integração social no país. O próprio líder supremo Ali Khamenei, morto recentemente em um ataque, era de origem azeri.

 

Além dos curdos, autoridades iranianas afirmam monitorar movimentações de grupos da etnia balochi na fronteira com o Paquistão, que também poderiam receber apoio externo para promover instabilidade interna.

 

Desde o início do conflito, o Irã já realizou ataques ou ações militares que afetaram diversos países do Oriente Médio. Também houve registros de ofensivas contra uma base britânica em Chipre e a interceptação de um míssil direcionado à Turquia por forças da OTAN.

 

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O cenário reforça o temor de que o confronto se amplie para outros países da região, transformando a atual crise em um conflito ainda mais amplo no Oriente Médio. 

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