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Contas de luz disparam em Manaus e moradores denunciam cobranças abusivas:
Foto: Divulgação

Faturas que chegam a mais de R$ 1 mil, cobranças em imóveis sem consumo e erros de leitura aumentam a revolta dos consumidores contra a Âmbar Energia.

O aumento no valor das contas de energia elétrica tem provocado uma onda de reclamações de moradores de Manaus contra a Âmbar Energia Amazonas. Em diferentes bairros da capital, consumidores afirmam estar recebendo faturas muito acima do consumo habitual e denunciam supostos erros de leitura, cobranças indevidas e valores incompatíveis com a realidade das residências.

 

As manifestações se multiplicam nas redes sociais e em plataformas de defesa do consumidor. Muitos moradores relatam que não alteraram seus hábitos de consumo, não adquiriram novos eletrodomésticos e, ainda assim, passaram a receber contas que comprometem grande parte da renda familiar.

 

Um dos casos que mais chamou atenção foi o de uma consumidora cadastrada no CadÚnico e beneficiária da tarifa social de energia. A moradora, que cuida de uma filha com transtorno do espectro autista (TEA), recebeu uma conta de R$ 818, valor que representa mais da metade do salário mínimo de 2026, fixado em R$ 1.621. Sem condições financeiras para quitar a cobrança, ela questionou como uma família de baixa renda conseguiria arcar com a despesa. Após a reclamação, a distribuidora informou que a fatura foi corrigida porque não havia sido possível realizar a leitura regular do medidor.

 

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Outro relato envolve uma moradora que recebeu três contas consecutivas nos valores de R$ 1.089,49, R$ 865,24 e R$ 711,23. Em apenas três meses, o total cobrado chegou a R$ 2.665,99. A consumidora afirmou suspeitar de erro na leitura do medidor, mas a empresa informou que a cobrança passou a refletir o consumo registrado após a instalação de um novo equipamento de medição.

 

Também há registros de consumidores que passam a maior parte do dia fora de casa e utilizam poucos aparelhos elétricos, mas receberam faturas consideradas incompatíveis com a rotina da residência. Em um dos casos, uma moradora afirmou utilizar apenas geladeira, bebedouro e ventilador, acionando o ar-condicionado apenas ocasionalmente. Mesmo assim, recebeu uma conta de R$ 323,69.

 

As denúncias não se limitam ao aumento das tarifas. Há relatos de cobranças emitidas para imóveis desocupados ou até mesmo sem rede elétrica instalada. Em uma das reclamações registradas, uma família informou que recebia mensalmente contas de energia para uma residência que não possuía medidor, instalação elétrica nem fornecimento ativo. Em outro episódio, um consumidor afirmou ter acumulado cobranças superiores a R$ 10 mil referentes a um imóvel que permaneceu vazio durante parte do período cobrado.

 

Os números também refletem a insatisfação dos consumidores. Entre janeiro e junho de 2026, a Âmbar Energia Amazonas acumulou 224 reclamações na plataforma Reclame Aqui. No período, a empresa mantinha nota média de 5,2, sendo classificada como de reputação "ruim". Apenas pouco mais da metade das reclamações foi considerada solucionada pelos consumidores, enquanto cobranças indevidas figuravam entre as principais queixas.

 

Embora a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) tenha autorizado, em maio deste ano, um reajuste médio de 3,79% na tarifa residencial do Amazonas, muitos consumidores afirmam que os aumentos registrados em suas contas ultrapassam, em muito, esse percentual. Em alguns casos, o valor da fatura dobrou ou até triplicou de um mês para outro, levantando dúvidas sobre a forma de cálculo utilizada.

 

A própria Âmbar Energia esclarece que a mudança no controle da concessionária não resultou em aumento automático nas tarifas e que os reajustes são definidos exclusivamente pela Aneel. A empresa também afirma que fatores como consumo elevado, leitura acumulada, faturamento por média, acertos de ciclos anteriores, bandeiras tarifárias, contribuição para iluminação pública e eventuais irregularidades no medidor podem influenciar o valor final da conta.

 

Especialistas orientam que consumidores que identificarem cobranças incompatíveis solicitem imediatamente uma revisão da fatura. A recomendação é fotografar o medidor no dia da contestação, reunir contas anteriores para comparar o histórico de consumo e registrar atendimento junto à distribuidora, guardando o número do protocolo.

 

Caso o problema não seja resolvido, o consumidor pode recorrer à ouvidoria da Âmbar Energia, ao Procon, à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e, se necessário, ao Poder Judiciário.

 

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Enquanto os questionamentos aumentam, cresce também a pressão para que a distribuidora ofereça maior transparência na realização das leituras, respostas mais rápidas às reclamações e cobranças que reflitam efetivamente o consumo real das famílias amazonenses. Para muitos moradores, contas que chegam a representar metade da renda mensal comprometem despesas essenciais, como alimentação, medicamentos, transporte e outros custos básicos do dia a dia. 

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