Poluição climática teve maior queda em 16 anos, mostra SEEG. Mesmo assim, Brasil não deve cumprir meta climática estabelecida para 2025
As emissões de gases de efeito estufa do Brasil caíram 17% em 2024, como resultado do controle do desmatamento no país. Esta é a segunda maior queda em 16 anos, mas apenas o controle da perda de vegetação não garante que Brasil cumpra a meta climática estabelecida para 2025, mostram os números do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima (SEEG), divulgados na manhã de segunda-feira (3).
Em 2024, o Brasil emitiu 2,145 bilhões de toneladas de gás carbônico equivalente (GtCO2e), contra 2,576 GtCO2e em 2023, quando consideradas as emissões bruta.
O desempenho do setor de uso da terra e florestas – influenciado quase que totalmente pelo desmatamento – foi o responsável por esta queda expressiva: em 2024 o setor emitiu 906 MtCO2e, contra 1,342 GtCO2e no ano anterior. Todos os outros setores que são contabilizados no inventário nacional – Agropecuária, Energia, Resíduos e Processos Industriais – mantiveram suas emissões ou apresentaram alta.
Veja também

Adaptação climática deve ser prioridade da COP30, diz embaixador
Amazonas tem a menor taxa de desmatamento desde 2017, aponta Prodes
Para os especialistas do SEEG, isso mostra que não dá para o Brasil confiar na redução do desmatamento para garantir um bom desempenho. “Está super evidente que o controle das emissões no Brasil não deve ficar mais nas costas do desmatamento. A gente precisa ter uma evolução, um aprimoramento nos outros setores também”, disse David Tsai, coordenador do SEEG.

Foto: Reprodução
Segundo Márcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima, os resultados também revelam que as políticas públicas de controle do desmatamento implementadas pelo governo Lula têm funcionado, fato a ser comemorado. No entanto, diz ele, os resultados não podem significar um afrouxamento dos outros setores emissores.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
“A gente tem sempre uma preocupação de fundo que é de que essas boas performances acabem animando o pessoal de áreas como o agronegócio e o petróleo, para eles se sentirem autorizados a continuar com a bagunça climática que fazem no Brasil”, disse, em coletiva de imprensa para divulgação dos dados. Segundo Astrini, os dados do SEEG podem dar um ânimo na presidência da COP30, abalada pela divulgação feita pelo governo a poucos dias da Cúpula sobre o avanço na exploração de petróleo na Foz do Amazonas. Mas ele não significa carta branca para que o país continue a explorar, reforça. “A queda no desmatamento não é autorização pra gente virar petro-estado, não é salvo conduto para nada”. diz.
Fonte: O Eco