Mais de 50 dias após reunião de alto nível, tratativas entre os dois países permanecem sem medidas concretas ou posicionamentos oficiais.
As negociações entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos para a criação de um acordo de cooperação no combate ao crime organizado transnacional seguem sem qualquer sinal público de avanço. Passados mais de 50 dias desde uma reunião entre representantes dos dois países, autoridades brasileiras e norte-americanas têm evitado comentar o tema ou direcionado questionamentos a outros órgãos.
A possibilidade de parceria começou a ser ventilada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entre o fim de novembro e o início de dezembro de 2025. O momento de maior visibilidade da iniciativa ocorreu no dia 4 de dezembro, quando o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se reuniu em Brasília com o encarregado de negócios e representante diplomático interino dos Estados Unidos, Gabriel Escobar.
Na ocasião, Haddad afirmou que os norte-americanos apresentariam uma proposta de termo de cooperação, mas sem estabelecer prazos. Desde então, nenhuma medida prática foi anunciada. Procurados pelo Metrópoles na última semana, órgãos dos dois países evitaram fornecer informações sobre o andamento das tratativas.
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No discurso oficial, o governo federal tem destacado o papel de instituições como a Receita Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) no enfrentamento ao crime organizado, com foco em investigações financeiras e combate à lavagem de dinheiro. O tema da segurança pública ganhou ainda mais relevância após pesquisas indicarem a violência como a principal preocupação da população brasileira, superando questões econômicas.

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Enquanto isso, o debate sobre estratégias de combate à criminalidade tem evidenciado divergências entre o governo federal e governadores, sobretudo de oposição, que defendem ações mais ostensivas e de enfrentamento direto.

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Do lado norte-americano, a Embaixada dos Estados Unidos informou apenas que não comenta conversas diplomáticas privadas, enquanto o Departamento de Estado não respondeu aos questionamentos. No Brasil, os ministérios da Justiça e Segurança Pública e das Relações Institucionais direcionaram as perguntas ao Ministério da Fazenda, que se limitou a afirmar que não comentaria o assunto.

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Fernando Haddad tem citado, em declarações públicas, o uso do estado de Delaware, nos EUA, como base para esquemas de lavagem de dinheiro envolvendo facções criminosas. Segundo o ministro, recursos ilícitos são enviados ao exterior e retornam ao Brasil disfarçados de investimentos legais. Outro ponto mencionado como possível foco da cooperação seria o combate ao tráfico de armas, incluindo o envio ilegal de armamentos e peças dos Estados Unidos para o território brasileiro.
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O reforço no discurso sobre o enfrentamento ao crime organizado ocorre em um contexto de crescente pressão pública e de proximidade do calendário eleitoral, no qual a segurança pública desponta como um dos principais temas do debate nacional.