Prática é usada na medicina tradicional e será proibida a partir de janeiro; cerca de 200 ursos ainda vivem confinados enquanto governo e criadores negociam indenizações
A Coreia do Sul vai pôr fim oficialmente a uma de suas práticas mais polêmicas: a criação de ursos para a extração de bile, utilizada na medicina tradicional e criticada internacionalmente por ser cruel com os animais. Conforme anunciado pelo Ministério do Clima, Energia e Meio Ambiente, a partir de 1º de janeiro, serão proibidas a criação, a posse e a extração de bile desses animais. Embora tenha ocorrido avanço, aproximadamente 200 ursos ainda permanecem em jaulas, devido à falta de acordo sobre compensações financeiras para os criadores e à ausência de santuários apropriados para receber os animais resgatados.
A extração de bile dos ursos, principalmente de ursos-negros-asiáticos, conhecidos como “ursos-da-lua”, ainda é permitida na Coreia do Sul, um dos poucos países que ainda o fazem. A substância é empregada na medicina tradicional e como alimento, ao qual se atribui a capacidade de aumentar a vitalidade. Entretanto, nos últimos 20 anos, a prática tem diminuído em popularidade devido a questionamentos científicos sobre seus benefícios, à disponibilidade de opções mais econômicas e ao crescimento da conscientização sobre maus-tratos.
O banimento integra um acordo firmado em 2022 entre governo, criadores e organizações de defesa dos animais, que previa o fim definitivo da atividade a partir de 2026. Pelo acerto, entidades de proteção animal ficam responsáveis por comprar os ursos das fazendas, enquanto o governo deve garantir locais adequados para abrigá-los.
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Neste ano, 21 ursos já foram retirados das fazendas e levados para um santuário estatal na província de Jeolla do Sul. Ainda assim, 199 animais permanecem em 11 propriedades espalhadas pelo país. Segundo autoridades e ativistas, o principal entrave agora é o valor das indenizações exigidas pelos criadores para entregar os ursos. O Ministério do Meio Ambiente informou que os produtores terão um período de carência de seis meses, mas serão punidos se continuarem extraindo bile. O governo também prometeu apoio financeiro para custear a manutenção dos animais até que sejam transferidos.

Foto: Reprodução
“Esse plano reflete a decisão do país de melhorar o bem-estar dos animais silvestres e cumprir responsabilidades internacionais. Vamos proteger todos os ursos”, afirmou o ministro Kim Sung-whan, em nota oficial.
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Já por parte dos criadores, há insatisfação. Kim Kwang-soo, que mantém 78 ursos na cidade de Dangjin, afirmou que muitos produtores venderam seus animais a preços baixos por dificuldades financeiras. “É uma política muito ruim, mas vou cumprir a lei”, disse ele, que é dirigente de uma associação de criadores.
Fonte: BBC