Preso desde março, oficial responde por feminicídio e fraude processual; Polícia Civil descarta hipótese de suicídio da vítima.
A Justiça de São Paulo marcou para o dia 28 de agosto o interrogatório do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, de 54 anos, acusado de matar a esposa, a soldado da PM Gisele Alves Santana, de 32 anos. O militar responde pelos crimes de feminicídio e fraude processual e permanece preso desde o dia 18 de março.
A audiência será realizada no Fórum Criminal da Barra Funda. Conforme determinação da 5ª Vara do Júri, o oficial será levado do Presídio Militar Romão Gomes ao local às 9h, uma hora antes do início da sessão, para passar pelos procedimentos de segurança e ter uma conversa reservada com seus advogados.
O interrogatório havia sido adiado após a defesa solicitar um laudo pericial complementar e o acesso às gravações produzidas durante a reprodução das versões apresentadas pelo réu e por testemunhas no 8º Distrito Policial, no Brás.
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O caso ocorreu em 18 de fevereiro, no apartamento onde o casal morava, na região central da capital paulista. Gisele Alves Santana morreu após ser atingida por um disparo na cabeça efetuado com a arma do marido.
Desde o início das investigações, o tenente-coronel sustenta que a esposa tirou a própria vida. No entanto, a Polícia Civil concluiu que os laudos periciais e as provas reunidas durante a investigação tornam a hipótese de suicídio incompatível com os elementos encontrados no local.
Outro ponto que reforçou a acusação foi a recuperação de mensagens apagadas do celular da vítima. Segundo a investigação, as conversas tratavam da possível separação do casal e, de acordo com a polícia, contradizem a versão apresentada pelo oficial.
Durante a última audiência, o Ministério Público de São Paulo também solicitou que a Corregedoria da Justiça Militar investigue denúncias de assédio moral e sexual supostamente praticados por um superior hierárquico contra uma testemunha protegida do processo. O pedido foi aceito pela Justiça, que determinou a abertura de apuração sobre os relatos.
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O interrogatório do acusado representa uma das etapas finais da instrução processual antes da decisão sobre o julgamento do caso pelo Tribunal do Júri.