Militar, que está nos Estados Unidos e é considerado foragido, deixou de pagar parcelas de empréstimo após ter os vencimentos suspensos
O coronel Reginaldo Abreu de Azevedo, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por participação na trama golpista e atualmente considerado foragido, também é alvo de uma cobrança judicial relacionada a uma dívida com a Fundação Habitacional do Exército (FHE).
O militar está nos Estados Unidos desde 2023 e possui um mandado de prisão expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos relacionados à tentativa de golpe.
A dívida cobrada pela FHE tem origem em um empréstimo contratado pelo coronel em maio de 2023. O contrato previa cerca de R$ 60 mil, mas Reginaldo recebeu aproximadamente R$ 31 mil, já que parte do valor foi utilizada para quitar uma dívida anterior de R$ 28,5 mil com a própria fundação.
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O acordo estabelecia parcelas mensais de aproximadamente R$ 1,5 mil. Os pagamentos foram realizados regularmente durante cerca de dois anos, mas foram interrompidos em julho do ano passado.
Com o atraso e a atualização dos valores, o débito chegou a aproximadamente R$ 39,9 mil em fevereiro deste ano.
MILITAR NÃO FOI LOCALIZADO
A Justiça tentou intimar Reginaldo para que realizasse o pagamento da dívida, mas os oficiais responsáveis pela diligência não conseguiram encontrá-lo nos endereços registrados em Brasília.
Em uma das tentativas, realizada em Águas Claras, no Distrito Federal, o oficial de Justiça foi informado de que o imóvel havia sido vendido pelo coronel em 2020.
Reginaldo fazia parte do núcleo 4 da trama golpista e foi condenado pela Primeira Turma do STF a 15 anos de prisão.
Ele passou a ser considerado foragido em 10 de abril, quando a Polícia Federal e o Exército cumpriram mandados de prisão contra militares condenados no processo. O coronel não foi localizado na ocasião.
DEFESA CONTESTA COBRANÇA
Em nota, os advogados Helder Lucio Rego e Diego Ricardo Marques afirmaram que o coronel não reconhece a dívida nos valores apresentados pela fundação.
Segundo a defesa, Reginaldo teria mantido os pagamentos em dia enquanto os descontos eram realizados diretamente em sua folha salarial. Os advogados alegam que a suspensão dos vencimentos, determinada por Alexandre de Moraes, teria provocado a interrupção dos pagamentos.
A defesa informou ainda que está analisando os valores e encargos cobrados e que poderá adotar medidas para contestar eventuais cobranças consideradas indevidas ou possíveis erros no procedimento.
ATUAÇÃO NO NÚCLEO 4
De acordo com a decisão do STF, os integrantes do núcleo 4 atuavam na produção e disseminação de informações falsas sobre as urnas eletrônicas e o sistema eleitoral.
Segundo a acusação apresentada pela Procuradoria-Geral da República, o grupo também teria promovido ataques virtuais contra autoridades e contribuído para a mobilização de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro nos atos ocorridos entre o fim de 2022 e janeiro de 2023.
Os integrantes do núcleo foram condenados por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
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A acusação também apontou o suposto uso da estrutura da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante as ações investigadas.