Investigação revela novas evidências, contradições em depoimentos e lesões suspeitas no corpo da PM encontrada com tiro na cabeça.
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto foi proibido de entrar no condomínio onde morava com a esposa, a policial militar Gisele Alves Santana, encontrada morta com um tiro na cabeça dentro do apartamento do casal no bairro Brás, na cidade de São Paulo.
A medida foi determinada no curso da investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo. De acordo com o inquérito, o delegado Lucas de Souza Lopes solicitou por e-mail ao condomínio que o acesso do militar fosse bloqueado.
O pedido foi encaminhado à administração do Condomínio Piscine Brás, que realizou o bloqueio no dia 27 de fevereiro, nove dias após a morte da policial. O documento determinou o cancelamento do cadastro facial e das tags de veículos utilizadas pelo coronel para entrar no prédio.
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LAUDO APONTA LESÕES SUSPEITAS
Novos elementos surgiram após a exumação do corpo de Gisele, realizada no dia 6 de março. O laudo necroscópico revelou a existência de lesões no pescoço e no rosto da vítima, levantando suspeitas sobre as circunstâncias da morte.
Segundo o documento pericial, os ferimentos apresentam características compatíveis com pressão digital e arranhões semelhantes a marcas de unhas, indicando que a policial pode ter sofrido algum tipo de agressão ou pressão antes de ser atingida pelo disparo.
Os peritos também apontaram indícios de que a vítima teria desmaiado ou perdido a consciência momentos antes do tiro.

Foto: Reprodução
CASO INICIALMENTE TRATADO COMO SUICÍDIO
Gisele Alves Santana tinha 32 anos e foi encontrada morta dentro do apartamento do casal no dia 18 de fevereiro. A arma utilizada no disparo pertencia ao próprio marido.
No início da investigação, o caso chegou a ser registrado como possível suicídio. Porém, com o surgimento de novos indícios e inconsistências, a Polícia Civil passou a tratar a ocorrência como morte suspeita.
Em depoimento, o coronel afirmou que estava tomando banho quando ouviu o disparo. Ele relatou ainda que acionou o resgate da Polícia Militar e pediu a presença de um amigo desembargador para comparecer ao local.
Um dos pontos questionados pelos investigadores foi o fato de o militar ter retornado ao apartamento para tomar banho após o ocorrido. Segundo ele, a decisão ocorreu porque acreditava que ficaria muito tempo sem voltar para casa.
DEPOIMENTOS ENTRAM EM CONFLITO
Durante a investigação, surgiram divergências entre o depoimento do coronel e o relato da família da vítima.
O militar afirmou que enfrentava rejeição por parte da família da esposa e que havia iniciado um processo de divórcio, o que teria provocado forte reação emocional em Gisele.
Já a mãe da policial apresentou uma versão diferente. Em depoimento, ela declarou que o casal vivia um relacionamento conturbado e acusou o genro de ser abusivo e controlador.
Segundo a mãe, o coronel não permitia que a filha usasse batom ou salto alto. Ela também relatou que, dias antes da morte, Gisele teria ligado pedindo para ser buscada pelos pais porque não suportava mais a pressão e queria se separar.
MOVIMENTAÇÃO SUSPEITA NO APARTAMENTO
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a movimentação de pessoas no apartamento após a morte da policial.
De acordo com o depoimento de uma inspetora do condomínio, três policiais teriam ido até o imóvel horas depois do ocorrido para realizar uma limpeza no local.
A testemunha também afirmou que o coronel retornou ao apartamento no mesmo dia para pegar alguns pertences antes de viajar para São José dos Campos.
Segundo o relato, enquanto aguardava no corredor do prédio, o militar falava ao telefone e conversava com policiais que atendiam a ocorrência. Em determinado momento, ao ser informado de que a esposa ainda estava viva, ele teria afirmado que “ela não ia sobreviver”.
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O caso segue sob investigação enquanto a polícia tenta esclarecer se a morte da policial foi suicídio ou homicídio.