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Corpos torturados achados em túmulo viking mostram violência da época
Foto: Reproduçao

Restos de ao menos 10 homens jovens, alguns decapitados e desmembrados, apontam cenário de violência em zona de conflito entre saxões e vikings

Uma escavação arqueológica realizada na Inglaterra revelou um achado impactante: um túmulo coletivo da era viking contendo restos humanos com sinais claros de violência extrema. A descoberta, feita por professores e estudantes do curso de arqueologia da Universidade de Cambridge, lança nova luz sobre os conflitos do século 9, período marcado por disputas territoriais entre povos saxões e vikings.

 

No interior da vala funerária, os pesquisadores identificaram restos mortais correspondentes a pelo menos 10 indivíduos, com base na contagem de crânios encontrados. Alguns esqueletos estavam completos, enquanto outros apresentavam sinais de desmembramento. Também foi localizada uma pilha de ossos de pernas e quatro esqueletos aparentemente inteiros, que indicam que as vítimas estavam com os membros amarrados no momento da morte.

 

A descoberta ocorreu durante uma escavação de treinamento inicialmente considerada rotineira em uma vala próxima ao campus da universidade. O local havia sido identificado no ano anterior e situa-se em uma antiga zona de fronteira entre o reino saxão da Mércia e o reino da Ânglia Oriental, território que foi posteriormente conquistado por vikings. A região, segundo especialistas, era palco frequente de conflitos armados.

 

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SINAIS DE EXECUÇÃO E POSSÍVEL EXIBIÇÃO DE CORPOS

 

Análises preliminares indicam que os corpos pertenciam a homens jovens e que foram enterrados sem qualquer ritual funerário, o que reforça a hipótese de execução. As marcas de trauma e cortes nos ossos sugerem atos de violência severa antes da morte.

 

O descarte dos corpos de forma desarticulada também indica ausência de respeito pelos mortos. Para os arqueólogos, é possível que algumas partes tenham sido exibidas anteriormente como troféus de guerra.

 

“É possível que partes dos corpos tenham sido exibidas antes de serem recolhidas e enterradas junto aos indivíduos executados”, afirmou Oscar Aldred, líder da escavação e integrante da Unidade Arqueológica de Cambridge (CAU).

 

 

CASO CHAMA ATENÇÃO POR POSSÍVEL TREPANAÇÃO

 

Entre os restos encontrados, um esqueleto chamou atenção dos pesquisadores: o de um jovem com aproximadamente 1,95 metro de altura estatura incomum para a época, considerando que a média masculina no período era de cerca de 1,68 metro.

 

O crânio desse indivíduo apresenta um orifício oval, sugerindo que ele possa ter sido submetido a uma trepanação, procedimento cirúrgico antigo que consiste na abertura de um orifício no crânio enquanto o paciente ainda está vivo. A prática era realizada por diferentes culturas ao longo da história, muitas vezes para aliviar pressão intracraniana ou tratar traumas.

 

DESCOBERTA SURPREENDEU ESTUDANTES

 

A escavação fazia parte de um treinamento acadêmico. Segundo Olivia Courtney, estudante da Universidade de Cambridge, o grupo não esperava encontrar algo tão significativo.

 

“Antes de descobrirmos os primeiros vestígios, nossa melhor descoberta tinha sido uma tampa de chocolate da década de 1960. Nunca tinha me deparado com restos humanos em uma escavação, e fiquei impressionada com a sensação de proximidade e, ao mesmo tempo, de distância que essas pessoas transmitiam”, relatou em comunicado.

 

Imagem colorida mostra crânio encontrado em escavação feita pela Universidade de Cambridge - Metrópoles

Foto: Reprodução 

 

PRÓXIMOS PASSOS

 

Os pesquisadores planejam aprofundar as análises por meio de estudos de DNA antigo e exames isotópicos, que podem revelar a origem geográfica das vítimas, hábitos alimentares e possíveis vínculos familiares. As novas investigações poderão esclarecer se os homens eram prisioneiros de guerra, soldados ou integrantes de alguma comunidade local.

 

Para os arqueólogos, o túmulo coletivo é um testemunho direto da violência que marcou as disputas entre saxões e vikings, revelando não apenas a brutalidade dos confrontos, mas também práticas simbólicas e políticas associadas ao poder e à dominação na Alta Idade Média. 

 

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