Até julho, o Acnur tinha recebido apenas 32% dos R$ 44,4 bilhões de que necessita para o ano, enquanto número de pessoas que tem de cuidar está em nível historicamente elevado
Quase 8,3 milhões de refugiados e pessoas deslocadas à força correm o risco de ficar sem acesso à assistência humanitária ainda em 2026 devido ao agravamento da crise de financiamento do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). O alerta foi divulgado nesta terça-feira (29) pela agência, que afirma enfrentar uma das maiores crises financeiras de sua história.
Segundo o Acnur, a organização enfrenta um déficit de US$ 5,79 bilhões, cerca de R$ 30,2 bilhões. Até o fim de julho, apenas 32% dos US$ 8,51 bilhões necessários para as operações de 2026 haviam sido recebidos. Os recursos disponíveis para a agência também caíram 24% entre 2024 e 2025.
A falta de dinheiro já afeta serviços considerados essenciais, como o registro de refugiados, a proteção de crianças e o atendimento a sobreviventes de violência de gênero. No Chade, cerca de 319 mil refugiados enfrentam atrasos no registro, enquanto até 200 mil mulheres e meninas podem perder acesso a espaços seguros e programas de prevenção.
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No Sudão, aproximadamente 140 mil refugiados e solicitantes de asilo permaneciam sem registro em meados deste ano após a suspensão das atividades de cadastramento durante os primeiros cinco meses de 2026. No Afeganistão, o auxílio destinado a pessoas que retornam ao país foi reduzido de US$ 375 para US$ 170 por pessoa, enquanto mais de 1 milhão de pessoas chegaram ao país neste ano após retornos voluntários ou forçados.
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O Acnur estima que a população sob seu mandato chegue a 131,2 milhões de pessoas até o fim de 2026. A agência já reduziu seu quadro de funcionários em 33% em 2025, fechou escritórios em 140 localidades e encerrou operações em 15 países em comparação com 2024. Segundo a organização, novos cortes podem comprometer ainda mais os sistemas de proteção destinados a populações deslocadas.