Relatórios financeiros e quebras de sigilo colocam empresa sob suspeita na CPMI
Um relatório que integra as apurações da CPMI do INSS aponta indícios de ligação entre o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e uma empresa de consultoria que movimentou centenas de milhões de reais em um curto período, apesar de apresentar características típicas de firma de fachada.
A empresa em questão, a Spyder Consultoria, não possui site institucional nem presença em redes sociais e tem como sócio formal um jovem de 25 anos registrado como auxiliar de serviços gerais. Ainda assim, a consultoria movimentou R$ 371 milhões apenas nos primeiros seis meses do ano passado uma das maiores cifras já identificadas pela comissão parlamentar.
A Spyder entrou no radar da CPMI após a quebra de seu sigilo financeiro. Em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), consta uma transferência de R$ 200 mil da empresa para a publicitária Danielle Miranda Fonteles, profissional com histórico de atuação em campanhas eleitorais do PT, incluindo a de Dilma Rousseff em 2010.
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Procurada, Danielle afirmou que não mantinha relação com a Spyder e que o pagamento teria sido determinado por Careca do INSS. Segundo ela, o valor fazia parte de uma negociação para a venda de um imóvel em Trancoso, no sul da Bahia. A defesa sustenta que o repasse correspondeu a uma parcela parcial da transação imobiliária e que a venda acabou sendo cancelada posteriormente.
A advogada Danyelle Galvão, responsável pela defesa de Antônio Antunes, informou que o empresário não irá se manifestar sobre o caso.
De acordo com investigações da Polícia Federal, Danielle Fonteles é apontada como sócia de Antunes na Cannabis World, empresa voltada à produção de maconha medicinal em Portugal. Mensagens obtidas pela imprensa indicam que a publicitária atuava diretamente na coordenação do projeto no país europeu, acompanhando etapas de avaliação e implementação da operação.
A CPMI chegou à Spyder Consultoria após identificar repasses feitos pela Dinar S/A Participações, empresa utilizada por Antunes para movimentar recursos. A Dinar, por sua vez, recebeu valores milionários da Arpar ligada ao Careca e da Confederação Brasileira dos Trabalhadores de Pesca e Aquicultura (CBPA), entidade também investigada no esquema conhecido como “Farra do INSS”.
Dados enviados à CPMI indicam que, apenas no primeiro semestre de 2025, a Spyder recebeu R$ 185,5 milhões em créditos e realizou R$ 185,8 milhões em pagamentos. Pelos critérios do BNDES, esse volume financeiro seria compatível com o de uma grande empresa, embora a consultoria tenha capital social declarado de apenas R$ 120 mil.
Registrada oficialmente em dezembro de 2024, a Spyder já havia movimentado mais de R$ 16 milhões poucas semanas após sua abertura. A empresa está sediada, segundo registros oficiais, em um prédio comercial no bairro do Tatuapé, na zona leste de São Paulo.
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A defesa de Danielle Fonteles afirma que toda a negociação do imóvel foi devidamente documentada, com recolhimento de impostos, e que os comprovantes foram apresentados tanto à CPMI do INSS quanto ao Supremo Tribunal Federal.