Santiago Peña anunciou a saída do cargo nesta quinta-feira (5), após o colapso de um banco digital atingir milhões de clientes e provocar pressão política por seu afastamento.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia ao cargo nesta quinta-feira (5), em meio a uma grave crise bancária e ao avanço de um processo de impeachment no Congresso do país. A decisão foi comunicada por meio de um vídeo publicado nas redes sociais, no qual o chefe de Estado afirmou que pretende contribuir para a estabilidade nacional.
A crise começou após a intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras digitais do país. A medida foi adotada depois que a autoridade monetária identificou problemas de solvência, levando à suspensão das operações e ao início do processo de liquidação da instituição.
O fechamento do banco deixou aproximadamente 3 milhões de clientes sem acesso às próprias contas. A instituição também administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo valores vinculados ao sistema de previdência social paraguaio, o que ampliou a preocupação sobre os impactos financeiros da operação.
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Em meio à repercussão, parlamentares da oposição apresentaram um pedido de impeachment contra Peña e o vice-presidente Pedro Alliana. O documento foi protocolado por 35 deputados, que apontaram possíveis conflitos de interesse, irregularidades na gestão de recursos previdenciários e suposta omissão de autoridades diante dos problemas envolvendo a instituição financeira.
A situação também atingiu o Banco Central do Paraguai. Carlos Carvallo, que presidia a autoridade monetária desde 2023, deixou o cargo após o agravamento da crise. Além disso, o Ministério Público abriu investigações sobre possíveis irregularidades na administração do Ueno Bank, e oito dirigentes atuais e antigos foram detidos.
A relação anterior de Peña com o grupo controlador do banco também passou a ser questionada. O presidente foi acionista do Grupo Vázquez, ligado à instituição financeira, até março de 2025. A oposição utiliza esse vínculo para sustentar questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse, acusações que deverão ser apuradas pelas autoridades competentes.
No pronunciamento em que anunciou a renúncia, Peña afirmou que tomou a decisão pensando na estabilidade do país, na paz social e na preservação das instituições democráticas. Ele também pediu desculpas à população pelo cenário enfrentado e destacou a necessidade de garantir que os clientes afetados recuperem seus recursos.
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O pedido de renúncia ainda precisa ser analisado pelo Congresso paraguaio para que o afastamento seja formalizado. Caso seja aceito, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir a Presidência. Enquanto isso, a crise bancária continua provocando repercussões políticas e econômicas no país.