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Crise no Ueno Bank deixa milhões de paraguaios sem acesso ao dinheiro e provoca protestos. VEJA VÍDEOS
Foto: Divulgação

Intervenção do Banco Central após identificar problemas financeiros na instituição atingiu correntistas, aposentados e recursos públicos, além de levantar suspeitas sobre possíveis conflitos de interesse.

Uma grave crise no sistema financeiro do Paraguai provocou apreensão entre milhões de correntistas e desencadeou protestos na capital, Assunção. O centro da turbulência é o Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras do país, que passou por intervenção das autoridades após a identificação de problemas relacionados à sua situação patrimonial.

 

A instituição possui aproximadamente 3 milhões de clientes, número que representa uma parcela expressiva da população paraguaia. Com a interrupção de serviços bancários, como transferências e pagamentos por cartões, milhares de pessoas enfrentaram dificuldades para acessar os próprios recursos.

 

Na terça-feira (3), centenas de clientes foram às ruas de Assunção para cobrar esclarecimentos e exigir a liberação do dinheiro depositado no banco. Entre os afetados estão trabalhadores, aposentados e pequenos correntistas, que dependem dos serviços financeiros para realizar pagamentos e manter suas despesas cotidianas.

 

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Além dos impactos sobre os clientes, a crise chamou atenção pelo volume de recursos públicos relacionados à instituição. Segundo as informações divulgadas, o grupo administrava aproximadamente US$ 850 milhões em recursos estatais, incluindo valores associados ao Instituto de Previdência Social (IPS), responsável pela proteção previdenciária dos trabalhadores paraguaios.

 

A situação financeira do banco também passou a ser questionada após a divulgação de resultados positivos nos meses anteriores. Em março, a instituição realizou uma emissão internacional de títulos no valor de US$ 350 milhões.

 

Entretanto, avaliações posteriores das autoridades reguladoras teriam identificado uma situação patrimonial mais delicada do que a apresentada anteriormente. O capital da instituição teria ficado abaixo da metade do mínimo exigido pelas normas financeiras, ampliando as preocupações sobre sua capacidade de honrar compromissos.

 

O Banco Central do Paraguai já acompanhava a situação desde junho e intensificou os procedimentos de fiscalização nos meses seguintes. Paralelamente, investigações administrativas e judiciais passaram a apurar possíveis irregularidades envolvendo operações financeiras e negociações de ativos ligados ao grupo controlador.

 

RELAÇÕES POLÍTICAS AUMENTAM PRESSÃO SOBRE AUTORIDADES

 

Outro aspecto que ampliou a repercussão do caso envolve as relações entre a instituição financeira e integrantes do governo paraguaio.

 

O presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, havia comandado o Ueno antes de assumir a autoridade monetária, em 2023, após ser nomeado pelo presidente Santiago Peña. A trajetória profissional de Carvallo levantou questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse na fiscalização da instituição.

 

Peña também passou a ser alvo de críticas por sua antiga participação societária na Ueno Holding, empresa relacionada ao grupo controlador do banco. Embora tenha afirmado que vendeu suas ações, o vínculo anterior aumentou a pressão política em meio ao agravamento da crise.

 

Diante da repercussão, Carvallo apresentou sua renúncia à presidência do Banco Central, acrescentando mais um elemento de instabilidade ao episódio.

 

APOSENTADOS E CORRENTISTAS TEMEM PREJUÍZOS

 

Os efeitos da crise também atingem diretamente os beneficiários da Previdência Social. De acordo com as informações divulgadas, aproximadamente 32 mil aposentados recebiam seus pagamentos por meio da instituição financeira.

 

A legislação paraguaia prevê um mecanismo de garantia de depósitos de até US$ 38 mil por correntista, mas a cobertura não elimina as preocupações de quem possui valores superiores ao limite estabelecido.

 

A dimensão dos recursos envolvidos e a presença de dinheiro público nas operações também levantam dúvidas sobre os possíveis impactos econômicos e previdenciários do caso.

 

No Brasil, a situação despertou comparações com o episódio envolvendo o Banco Master, principalmente pela discussão sobre fiscalização, relações institucionais e exposição de recursos públicos a riscos no setor financeiro.

 

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Enquanto as investigações avançam, milhares de paraguaios aguardam esclarecimentos sobre a recuperação dos valores e a normalização dos serviços bancários. O caso representa um importante teste para as autoridades responsáveis pela fiscalização e para a credibilidade do sistema financeiro do país. 

 

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