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Cronograma de encontro com Zelensky e Trump na Casa Branca preocupa líderes europeus; entenda
Foto: Reprodução

Reunião bilateral entre EUA e Ucrânia acontece antes de conversa com líderes da UE e da Otan, acendendo alerta sobre possível pressão para acordo desfavorável a Kiev

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebe nesta segunda-feira o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, para uma reunião bilateral na Casa Branca, antes de se encontrar com líderes europeus que também participam da cúpula dedicada ao futuro do conflito entre Kyiv e Moscou. A decisão de Trump de conversar primeiro a sós com Zelensky e só depois receber os aliados europeus provocou desconforto entre chancelerias do continente, que temem uma possível pressão unilateral americana para que a Ucrânia aceite um acordo de paz desfavorável.

 

Os líderes europeus devem chegar à Casa Branca às 12h no horário local (13h em Brasília). Zelensky será recebido por Trump às 13h (14h em Brasília) e, 15 minutos depois, os dois darão início a uma reunião privada no Salão Oval. Somente após esse encontro, às 14h15 (15h15 em Brasília), Trump receberá formalmente os demais líderes europeus, e a reunião principal com todos os participantes terá início às 15h (16h em Brasília), no Salão Leste da Casa Branca.

 

A ordem dos encontros causou preocupação em capitais como Paris, Berlim e Bruxelas, onde diplomatas avaliam que Trump pode tentar impor a Zelensky uma linha dura de negociação com Moscou antes mesmo de consultar os parceiros da Otan e da União Europeia. O temor é de que o presidente dos EUA tente obter um “sucesso diplomático” após sua reunião com o presidente russo, Vladimir Putin, realizada na sexta-feira, no Alasca — encontro considerado desequilibrado por analistas e amplamente favorável ao Kremlin.

 

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Em uma série de postagens nas redes sociais na noite de domingo, Trump afirmou que Zelensky poderia “acabar com a guerra quase imediatamente, se quisesse”, e reiterou sua oposição à entrada da Ucrânia na Otan, além de descartar qualquer tentativa de retomar a Crimeia, anexada pela Rússia em 2014. A retórica foi vista como mais um indício de que o líder americano pode pressionar por concessões unilaterais por parte da Ucrânia.

 

Em contraste, no sábado, líderes europeus divulgaram uma declaração reafirmando que “nenhuma limitação deve ser imposta às Forças Armadas da Ucrânia ou à sua cooperação com terceiros países”, e que “a Rússia não pode ter poder de veto sobre o caminho da Ucrânia rumo à União Europeia e à Otan”. O texto também enfatizou que as fronteiras internacionais não podem ser alteradas pela força.

 

Entre os participantes da reunião com Trump estão o premier do Reino Unido, Keir Starmer; a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni; o presidente da França, Emmanuel Macron; o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz; o presidente da Finlândia, Alexander Stubb; o secretário-geral da Otan, Mark Rutte; e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Muitos desses líderes têm relações cordiais com Trump, mas devem atuar como freio a qualquer proposta que signifique ceder território ucraniano ou aceitar condições impostas por Moscou.

 

O QUE ACONTECEU NO ALASCA?


Na sexta-feira, em uma cúpula realizada no Alasca, Trump alinhou-se à posição de Putin sobre a Ucrânia, apoiando a ideia de um amplo acordo de paz que exigiria que Kiev cedesse parte de seu território à Rússia. O republicano recebeu o líder russo com tapete vermelho e aplausos, apesar de Putin estar sob sanções dos EUA e enfrentar um mandado internacional de prisão por crimes de guerra. Durante o encontro, os dois demonstraram cordialidade, rindo e trocando cumprimentos.

 

No decorrer da reunião, Putin ofereceu um cessar-fogo baseado nas linhas de frente atuais e apresentou uma promessa formal de não atacar novamente a Ucrânia ou qualquer país europeu — embora já tenha descumprido compromissos semelhantes no passado. Trump, por sua vez, abandonou a exigência de um cessar-fogo imediato em favor de um tratado de paz acelerado, que exigiria a cessão da região de Donbass à Rússia, incluindo áreas ainda não ocupadas por tropas russas.

 

Essa abordagem — de pular negociações preliminares de cessar-fogo para ir direto a um acordo de paz — é uma demanda antiga de Putin desde o início da guerra, em 2022, permitindo à Rússia negociar diretamente sobre trocas de território e outras condições onerosas para Kiev.

 

REAÇÃO DA UCRÂNIA E DA UE


Apesar do cenário preocupante, autoridades ucranianas identificaram um ponto positivo: a proposta americana de incluir garantias de segurança para a Ucrânia em um eventual acordo de paz, destinadas a prevenir futuras agressões russas. Trump comunicou a iniciativa a Zelensky em uma ligação na manhã de sábado, após a cúpula. O plano prevê que parceiros ocidentais de Kiev, incluindo os EUA, se comprometam a garantir a defesa ucraniana contra novos ataques russos.

 

Na Europa, a proposta teve uma recepção cautelosa. Líderes do continente estão acostumados às mudanças de posição de Trump sobre a Ucrânia após suas conversas com Putin. Ainda assim, autoridades europeias e ucranianas avaliam que, pelo menos por enquanto, o pior não ocorreu: o presidente americano não restringiu a ajuda europeia a Kiev nem aceitou a entrega de partes do território ucraniano à Rússia.

 

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O resultado da cúpula no Alasca evidencia um desafio estrutural: os líderes europeus não possuem uma estratégia própria para encerrar a guerra ou derrotar Moscou. Em vez disso, tentam acompanhar as decisões variáveis de Trump, buscando mantê-lo dentro de limites que protejam a soberania ucraniana e a segurança europeia. Para o bloco, o destino da Ucrânia é uma questão de importância estratégica. 

 

Fonte: O Globo

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