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Cuba acusa governo Trump de desespero após convite para colaborar com a CIA
Foto: Divulgação

Havana critica iniciativa de Marco Rubio para recrutar cubanos e reage à intensificação da pressão dos Estados Unidos em meio à crise econômica e energética na ilha.

O governo de Cuba ironizou, na sexta-feira (23), o que classificou como “desespero” dos Estados Unidos após autoridades americanas convocarem cidadãos cubanos a colaborar com a Agência Central de Inteligência (CIA). A iniciativa ocorre em meio ao aumento da pressão do governo de Donald Trump sobre a ilha caribenha.

 

Em publicação na rede social X, o vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernández de Cossío, criticou a estratégia de Washington e questionou a necessidade de tornar público o recrutamento de colaboradores para o serviço de inteligência americano.

 

“Agora os EUA recorrem ao recrutamento público para a CIA”, escreveu o diplomata. Ele acrescentou que a medida demonstraria “muito desespero ou miséria dentro da agência”.

 

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O convite foi divulgado pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. Em uma publicação na mesma rede social, ele incentivou pessoas interessadas em mudanças políticas em Cuba a procurar a agência de inteligência e a colaborar de maneira discreta. Rubio, no entanto, não apresentou detalhes sobre como funcionaria o recrutamento.

 

A manifestação de Havana ocorreu poucas horas depois de Donald Trump afirmar que os Estados Unidos vão “dar um jeito em Cuba” após lidar com o Irã. O presidente também declarou que Rubio seria enviado à ilha para “finalizar o acordo”, mas não esclareceu quais seriam os termos da negociação.

 

A postura americana combina ameaças de endurecimento com sinais de abertura diplomática. Em setembro, Trump afirmou acreditar que seria possível chegar a um acordo com o governo cubano e disse não considerar necessária uma intervenção militar. Em outras ocasiões, porém, defendeu mudanças no regime comunista da ilha.

 

Em março, o presidente americano chegou a afirmar que teria “a honra de tomar Cuba” e que poderia fazer o que quisesse com o país, que descreveu como uma nação falida. Em maio, voltou a mencionar a possibilidade de um entendimento diplomático.

 

As relações entre Washington e Havana são marcadas por décadas de tensão. Os Estados Unidos mantêm um embargo econômico contra Cuba há mais de 60 anos, e a pressão aumentou após a operação americana que capturou o então presidente venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro.

 

A situação cubana também é agravada por uma grave crise econômica e energética. No início do ano, a Casa Branca impôs restrições ao fornecimento de petróleo à ilha, aprofundando a escassez de combustíveis e os apagões frequentes. A deterioração da infraestrutura nacional contribui para agravar as dificuldades enfrentadas pela população.

 

Diante desse cenário, o ministro das Relações Exteriores de Cuba afirmou, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada em setembro, que o país continuava aberto ao diálogo com os Estados Unidos.

 

Na mesma assembleia, Trump ameaçou recorrer à força militar na América Latina e no Caribe. Até o momento, o presidente não detalhou as condições do acordo mencionado na sexta-feira nem explicou como pretende conciliar eventuais negociações com seu objetivo declarado de promover mudanças políticas em Cuba.

 

 

A alternância entre ameaças e propostas de negociação tem sido uma característica da política de Trump em relação a Cuba. Embora o republicano tenha sinalizado disposição para um entendimento diplomático, suas declarações também incluem a possibilidade de ações mais duras contra o governo cubano.

 

Enquanto isso, a pressão sobre Havana ocorre em um contexto mais amplo de tensões internacionais envolvendo Washington.

 

Em relação ao Irã, o jornal The New York Times informou que as Forças Armadas dos Estados Unidos e de Israel elaboraram planos para retomar ataques contra o país persa após as eleições legislativas de meio de mandato americanas, previstas para novembro. A reportagem citou autoridades de Washington e outras pessoas familiarizadas com as discussões.

 

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As declarações sobre Cuba e os relatos envolvendo o Irã reforçam o cenário de incerteza sobre os próximos passos da política externa americana, tanto no Caribe quanto no Oriente Médio. 

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