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Cuba registra 0ºC pela 1ª vez e enfrenta frio histórico em meio a desafios econômicos
Foto: Reprodução

Ilha caribenha atinge ponto de congelamento inédito, com escarcha nas plantações, enquanto sofre com crise energética, queda do turismo e pressão internacional

Cuba registrou na madrugada na última terça-feira (3) a menor temperatura já documentada em sua história, alcançando 0 °C na estação meteorológica de Indio Hatuey, na província de Matanzas, segundo dados do Instituto de Meteorologia do país (Insmet). O recorde supera a marca anterior de 0,6 °C, registrada em 1996, e representa a primeira vez que o ponto de congelamento é oficialmente registrado em território cubano.

 

O forte episódio de frio foi provocado pela chegada de uma massa de ar polar vinda da América do Norte, que, combinada com céu claro, ar seco e ventos fracos, provocou um resfriamento acentuado das temperaturas um fenômeno extremamente incomum em um país de clima tropical.

 

Em Indio Hatuey, o novo recorde foi registrado por volta das 7 h locais, e outras estações meteorológicas do oeste e centro da ilha reportaram mínimas abaixo de 5 °C durante a madrugada, um contraste marcante com o clima habitual da região.

 

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O frio intenso também gerou escarcha em plantações, algo raro em Cuba e que pode agravar os impactos sobre a agricultura local, especialmente em um momento em que o país enfrenta grandes dificuldades econômicas.

 

CRISE ECONÔMICA E QUEDA DO TURISMO

 

O recorde climático acontece em um contexto de fragilidade econômica na ilha, intensificada por uma crise energética com apagões frequentes e pela queda no número de visitantes internacionais em 2025, afetando um setor que é uma das principais fontes de divisas para o país.

 

Países como Canadá, Espanha e Reino Unido emitiram alertas de precaução para viajantes em razão das condições adversas, enquanto a Argentina chegou a recomendar que seus cidadãos evitassem deslocamentos à ilha devido a falhas em serviços públicos e de saúde.

 

PRESSÕES EXTERNAS E TENSÕES COM OS EUA

 

No plano geopolítico, a situação interna de Cuba tem sido agravada por pressões dos Estados Unidos, que ampliaram sanções e impuseram tarifas a nações que forneçam petróleo à ilha. O governo de Washington classificou Cuba como “uma ameaça excepcional à segurança nacional” em ordem executiva assinada recentemente, impactando diretamente o fornecimento de combustível venezuelano à nação caribenha.

 

Apesar de declarações de possíveis negociações, autoridades cubanas afirmam que não há um diálogo formal em curso com os EUA, reconhecendo que a combinação de pressões externas e problemas internos aprofundará os desafios nos próximos meses.

 

CENÁRIO DE DIFICULDADES E RESPOSTAS REGIONAIS

 

Enquanto Havana lida com cortes de energia e problemas em postos de combustível, o México expressou intenção de enviar ajuda humanitária e suprimentos energéticos, apesar de advertências de Washington de que tal apoio poderia ser interrompido.

 

Autoridades cubanas admitiram que o país enfrenta um período difícil e afirmam estar implementando planos de contingência para mitigar os efeitos da crise econômica, mesmo diante de limitações estruturais e fatores climáticos extremos que desafiam a vida cotidiana da população.

 

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