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Curta-metragens em Tiradentes exploram trabalho, memória e cotidiano com sensibilidade e humor
Foto: Reproduçao

De engenhos no sertão a destruição de protótipos, os curtas de Tiradentes mostram o trabalho em suas múltiplas faces: do cotidiano à memória histórica, do drama ao humor.

Na Mostra de Cinema de Tiradentes, curtas-metragens revelam tanto a beleza quanto as dificuldades do trabalho, seja na história ou no cotidiano atual. Obras como O Ponto do Mel seriam bons argumentos para reviver a antiga lei que obrigava a exibição de curtas brasileiros antes de longas estrangeiros.

 

O filme da Paraíba, dirigido por Mirian Oliveira e Pedro Lessa, encerrou a primeira seleção da mostra Foco. A produção acompanha o funcionamento de um engenho de açúcar em Poço de José de Moura, região natal de Oliveira, destacando o rigor técnico e a pesquisa que sustentam a narrativa, sem perder o diálogo com um público mais amplo.

 

O curta se abre com um duelo de repente, cantado no aboio típico do sertão, em um plano-sequência sugerido pelos próprios trabalhadores. O Ponto do Mel não se limita a um registro artístico: ele também cumpre papel educativo, já tendo sido exibido em escolas locais, encantando crianças ao mostrar rostos e lugares familiares.

 

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A narrativa segue o ciclo completo do engenho: corte da cana, moagem, uso do bagaço, fervura do caldo até a rapadura, e finalmente a transformação em doces artesanais. Cada etapa é registrada com cuidado, ressaltando a coletividade, o cotidiano dos trabalhadores, seus cantos, piadas e a dinâmica do trabalho duro.

 

O debate sobre os curtas destacou também a relação entre trabalho, território e memória, tema recorrente na seleção. Em Crash, de Gabriela Mureb, o público assistiu à destruição de protótipos de carro em Munique, registrada com cinco câmeras GoPro, resultando em imagens simultaneamente macabras e fascinantes.

 

Outros Santos, de Guilherme Souza e Jorge Polo, explora a história de uma praia marcada por violência e exploração, transformando a narrativa em um exercício de horror sutil. Já A Praga do Resíduo Verde, de Ramon Coutinho, aposta no humor e improviso ao mostrar o dia a dia de um zelador lidando com situações inusitadas em Salvador.

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No conjunto, os curtas da mostra de Tiradentes oferecem olhares variados sobre o trabalho, a memória e a relação do homem com seu entorno, entre o rigor histórico, o humor e a poesia visual. 

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