Inicialmente, a pressão dos EUA sobre o Irã foi comunicada como uma reação à repressão violenta do regime aos protestos no país, mas depois escalou para mirar o programa nuclear iraniano
Os Estados Unidos atacaram o Irã neste sábado (28). A ofensiva ocorre após semanas de negociações entre os países na tentativa de fechar um acordo que limite ou encerre o programa nuclear iraniano.
A ação militar acontece em um momento delicado para o regime iraniano, que ainda lida com as consequências da onda de protestos registrada nas primeiras semanas de 2026.
As manifestações ganharam repercussão mundial após serem duramente reprimidas por forças de segurança, resultando em milhares de mortes e de prisões de civis.
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No último fim de semana, o Irã voltou a registrar protestos. Desta vez, de estudantes que retomavam o semestre estudantil. Na ocasião, Teerã advertiu os manifestantes a não ultrapassarem "limites".
ENTENDA COMO OS PROTESTOS COMEÇARAM
Os protestos no Irã começaram diante da insatisfação popular com a situação econômica do país. A moeda local sofreu forte desvalorização, enquanto o custo de vida aumentou.
A população enfrenta inflação elevada, acima de 40% ao ano.
Somente em 2025, a moeda local perdeu cerca de metade do valor em relação ao dólar e atingiu a mínima histórica.
O descontentamento também cresceu diante da desigualdade entre cidadãos comuns e a elite do país, além de denúncias de corrupção no governo.
Crise prolongada: O Irã enfrenta dificuldades econômicas há anos, impactado principalmente pela reimposição de sanções pelos Estados Unidos e outros países. A medida foi adotada em 2018, quando Trump deixou o acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano.
EUA e outros países temem que o Irã esteja enriquecendo urânio para desenvolver uma bomba nuclear.
Teerã nega a acusação e diz que o programa tem fins pacíficos.
Mesmo com essa justificativa, sanções e restrições comerciais desestimularam negócios com o país e afetaram exportações, investimentos e o sistema financeiro.
A situação também piorou após o conflito entre Irã e Israel, em junho de 2024. Na ocasião, forças israelenses e dos EUA atacaram alvos ligados ao programa nuclear iraniano.
Início das manifestações: Os primeiros registros dos protestos ocorreram em 28 de dezembro, quando comerciantes iranianos iniciaram uma greve e fecharam lojas em reação à situação econômica.
As manifestações ganharam força na capital, Teerã, e se espalharam para outras cidades no dia seguinte, com apoio principalmente de jovens e estudantes.
Além das questões econômicas, os manifestantes também passaram a exigir a queda do governo do aiatolá Ali Khamenei.
Na tentativa de conter os atos, o presidente Masoud Pezeshkian prometeu abrir um canal de diálogo com representantes da sociedade para discutir as demandas da população.
Desde a Revolução Islâmica de 1979, o Irã é uma república teocrática, em que a autoridade máxima é o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Ele está no poder há mais de 30 anos.
O regime é alvo de críticas por violações de direitos humanos e restrições a liberdades sociais, especialmente entre os mais jovens, que encabeçaram vários protestos nos últimos anos.
REPRESSÃO BRUTAL
Após os protestos tomarem as ruas no início de janeiro, Teerã passou a reprimir os manifestantes com violência extrema. O regime também chegou a bloquear o acesso à internet e restringir as comunicações.
Relatos de iranianos naquelas semanas narraram uma repressão brutal, com pilhas de corpos e tiros contra a população. Segundo organizações humanitárias, milhares de manifestantes foram mortos e outros milhares detidos. Vídeos que circularam na época mostram corpos enfileirados.
PROTESTOS NAS UNIVERSIDADES
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Foto: Reprodução
No fim de semana dos dias 21 e 22 de fevereiro, estudantes iranianos iniciaram uma nova onda de protestos contra o regime Khamenei, com manifestações em diversas universidades no Irã. Foram registrados confrontos, mas as agências de notícias não conseguiram verificar se havia mortos.
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Na ocasião, Teerã ameaçou os manifestantes com mais uma repressão violenta. Desde então, não há mais relatos de protestos no país.