NOTÍCIAS
Meio Ambiente
Da picada à pílula: uma razão a mais para proteger a biodiversidade
Foto: © Divulgação/Instituto Butantan

Cada veneno, cada toxina, cada composto bioativo é resultado de um processo evolutivo específico

Você provavelmente conhece alguém que já tomou um medicamento que veio do veneno de uma cobra brasileira. O captopril, um dos remédios mais prescritos no mundo para hipertensão, nasceu de uma descoberta com o veneno da jararaca. E não é um caso isolado: o Ozempic, medicamento que virou febre para diabetes e emagrecimento, tem origem no veneno de um lagarto do deserto americano.

 

Essa conexão entre animais, peçonhentos ou não, e remédios que salvam vidas não é coincidência. É o resultado de uma lógica científica poderosa: a natureza já inventou muitos dos medicamentos de que precisamos, e agora nossa trabalho é encontrá-los, entendê-los e transformá-los com segurança em tratamentos. E nessa corrida pela cura, o Brasil tem uma vantagem única: somos oficialmente o campeão mundial da biodiversidade!

 

A história dessa revolução farmacológica começou no Brasil há mais de 120 anos. Em 1901, o médico Vital Brazil, diretor do Instituto Butantan, desenvolveu o primeiro soro antiofídico específico do mundo, estabelecendo um novo paradigma científico que conectaria para sempre a biodiversidade brasileira ao desenvolvimento de medicamentos revolucionários.

 

Veja também 

 

Primavera dos Museus inicia em Manaus com debate sobre mudanças climáticas e cotidiano amazônico

 

Primavera começa com ondas de calor e baixa umidade no país

Diferente do soro genérico criado pelo francês Albert Calmette alguns anos antes, Vital Brazil descobriu que cada espécie de serpente exigia um antídoto diferente. Imunizando cavalos com venenos específicos e testando os soros resultantes em animais de laboratório, ele provou que o conceito de “especificidade antigênica” era fundamental – uma mesma toxina modificada de forma específica poderia salvar vidas.

 

Para conseguir serpentes suficientes para seus estudos e produção de soros, Vital Brazil criou o que hoje reconhecemos como o primeiro grande projeto de ciência cidadã do Brasil, e um dos primeiros do mundo.

 

Foto: Reprodução

 

Ele estabeleceu uma rede de colaboração com fazendeiros e profissionais de saúde no interior, na qual as pessoas mandavam as serpentes para o Instituto, e ele mandava o soro para as cidades. A partir de 1903, o sistema de permuta funcionava assim: em troca de serpentes capturadas por fazendeiros e trabalhadores rurais, o Butantan fornecia soros antiofídicos e orientações sobre como tratar picadas.

 

Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no FacebookTwitter e no Instagram.

Entre no nosso Grupo de WhatAppCanal e Telegram 


O sistema era tão sofisticado que Vital Brazil negociou com o governo estadual o transporte ferroviário gratuito das serpentes, e mais tarde um acordo federal garantiu que as companhias ferroviárias fornecessem o transporte dos animais e passagens para o pessoal envolvido no serviço. Em 1911, essa rede já conseguia fornecer ao instituto mais de 3.300 cobras por ano, vindas de várias regiões.

 

Fonte: O Eco

LEIA MAIS
DEIXE SEU COMENTÁRIO

Nome:

Mensagem:

Copyright © 2013 - 2026. Portal do Zacarias - Todos os direitos reservados.