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Davos 2026 expõe o novo paradoxo global: economia resiste, mas a cooperação encolhe
Foto: Divulgação

Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.

O Fórum Econômico Mundial de 2026 começa hoje em Davos cercado por um paradoxo incômodo. Os indicadores econômicos mostram que a economia global segue funcionando, com crescimento e resiliência maiores do que muitos previam. Mas o ambiente político e institucional que sustenta esse motor parece cada vez mais frágil.

 

Entre os líderes políticos e empresariais que chegam à cidade suíça, a percepção é quase unânime: o mundo está menos cooperativo do que há apenas um ano. A confiança entre países diminuiu, e a coordenação internacional perdeu força justamente em um momento de crises sobrepostas.

 

O calendário ajuda a explicar o clima de pessimismo. Amanhã, 20 de janeiro, completa-se um ano desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca. A presença do presidente americano principal atração do encontro deste ano  simboliza, para muitos, uma mudança estrutural nas relações globais. Ainda assim, o relatório do WEF deixa claro que o problema vai além de um único líder.

  

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Segundo a pesquisa com membros de conselhos empresariais, 85% afirmam que hoje há “menos” ou “muito menos” cooperação internacional em áreas-chave como comércio, fluxos de capital e inovação. No campo climático, o diagnóstico é ainda mais duro: 87% enxergam retrocessos na ação conjunta entre países.

 

O documento oficial descreve o atual cenário como uma “nova era global”, marcada por fragmentação persistente, desconfiança mútua e níveis recordes de deslocamento forçado de pessoas. Para o Fórum, essa deterioração não começou agora. Trata-se de um processo de erosão que se estende por cerca de 15 anos, desde a crise financeira de 2008.

 

De lá para cá, a insatisfação com o sistema multilateral só se aprofundou, agravada por sucessivos choques: a pandemia de Covid-19, as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, a crise energética e a ascensão de políticas protecionistas.

 

Mesmo com esse diagnóstico sombrio, Davos tenta evitar um tom fatalista. A aposta do Fórum não é no fim da globalização, mas em sua transformação. A cooperação internacional, segundo o relatório, não desapareceu tornou-se mais seletiva, pragmática e orientada por interesses imediatos.

 

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Sai o ideal de um mundo sem fronteiras; entra um modelo mais utilitário, em que países e empresas cooperam “quando e onde” isso faz sentido estratégico. É sob essa lógica, menos idealista e mais funcional, que os líderes globais tentarão, ao longo dos próximos dias, encontrar respostas para crises que seguem ignorando fronteiras nacionais. 

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