Depois de encarar ondas gigantes em Nazaré, Michelle des Bouillons muda o foco e aposta em precisão e sintonia para buscar um bom resultado no mar do Leblon.
Depois de surfar uma onda de quase 25 metros em Nazaré, Portugal, Michelle des Bouillons encara nesta sexta-feira (14) um desafio bem diferente no mar do Rio de Janeiro. Ao lado do piloto Ian Cosenza, a brasileira participa da terceira edição do Gigantes de Nazaré – Etapa Rio, no Pontão do Leblon. A primeira chamada está prevista para as 7h.
A mudança nas condições exige uma estratégia diferente. Enquanto em Nazaré o tamanho das ondas e o posicionamento são fundamentais, no Leblon a velocidade da onda, a leitura das séries e, principalmente, a sintonia entre surfista e piloto podem fazer a diferença.
Michelle explica que a parceria com Ian será decisiva para escolher e aproveitar as melhores ondas da bateria.
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O maior desafio técnico é a pilotagem. Precisamos fazer com que as melhores ondas sejam nossas, tanto da minha parte colocando o Ian nas melhores ondas quanto dele me colocando nas melhores ondas. Não podemos dar margem para as outras duplas afirmou.
A competição utiliza uma dinâmica diferente do surfe tradicional. Piloto e surfista trabalham juntos com o auxílio de uma moto aquática para colocar o atleta na onda. Dependendo da situação, a dupla pode utilizar diferentes formas de entrada, sempre buscando o melhor momento para iniciar a descida.
No Pontão do Leblon, essa sintonia ganha ainda mais importância. Michelle e Ian passaram os últimos dias treinando no local e ajustando os movimentos de acordo com as características da onda.
O DESAFIO DAS ONDAS DO LEBLON
Para Michelle, o mar do Leblon exige respostas rápidas porque as ondas costumam fechar com velocidade e apresentar bastante movimento.
O Leblon é desafiador porque a onda fecha muito rápido e balança muito. Não dá para pensar muito. É preciso agir, fazer as manobras rapidamente e aproveitar o máximo de cada onda explicou.
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Michelle des Bouillons pegou a parede em dezembro de 2025
durante competição da WSL na Praia do Norte, em Nazaré
Foto: Reprodução/Rennan Chaves
A expectativa é de condições menores do que as encontradas em Nazaré, mas com possibilidade de ondas mais organizadas e vento favorável.
A dupla também aproveitou os últimos dias para realizar treinos específicos no local, utilizando os períodos em que o movimento de surfistas era menor.
UMA NOVA FASE APÓS NAZARÉ
A participação no Rio acontece meses depois de Michelle surfar uma onda estimada em 24,99 metros em Nazaré, um feito que aumentou sua projeção no cenário internacional do big surf.
A brasileira afirma que nunca teve como principal objetivo estabelecer um recorde, mas buscou se preparar para aproveitar uma oportunidade histórica quando ela surgisse.
Meu objetivo nunca foi pegar a maior onda do mundo, mas eu sabia que precisava estar preparada para isso. A oportunidade veio e hoje me sinto mais madura, confiante e preparada contou.
Segundo Michelle, o feito também mudou a forma como parte do público passou a enxergar sua atuação nas ondas gigantes.
PARCERIA DIVIDIDA EM 50%
Ian Cosenza foi o piloto responsável por colocar Michelle na onda histórica em Nazaré. Ele conta que, naquele momento, estava concentrado apenas em encontrar a melhor posição para a surfista.
Depois da bateria, a dupla percebeu a dimensão do que havia acontecido.
Para Ian, o resultado é consequência do trabalho conjunto entre piloto e surfista.
A gente sempre trabalha meio a meio: responsabilidade, glórias e erros. Seja uma onda histórica ou uma onda normal de treino, o mérito é dos dois destacou.
A mesma filosofia será aplicada no desafio do Leblon. Mesmo com ondas menores, a dupla mantém os protocolos de segurança e a atenção na escolha das ondas.
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Para Ian, independentemente das condições, o principal objetivo é terminar a competição com segurança e aproveitar o momento ao lado da equipe.