Falas sem comprovação científica foram contestadas por especialistas e motivaram manifestações de órgãos públicos contra a desinformação e o preconceito.
O humorista Dunga Mesquita tornou-se alvo de críticas após publicar um vídeo nas redes sociais em que associa o Festival Folclórico de Parintins à transmissão do HIV. A gravação, divulgada na última segunda-feira (15), repercutiu negativamente e foi contestada por especialistas, instituições públicas e defensores dos direitos das pessoas que vivem com o vírus.
No vídeo, o humorista afirma, sem apresentar dados ou fontes oficiais, que o festival seria "os três dias do ano em que as pessoas mais contraem HIV". Ele também declara que Parintins ocupa a segunda posição entre os municípios do Amazonas com maior número de casos da infecção e sugere que pessoas teriam adquirido o vírus durante a edição anterior do evento.
Além dessas afirmações, a publicação utiliza expressões consideradas estigmatizantes, como "boi soropositivo", em referência aos bois-bumbás Caprichoso e Garantido, e faz associações entre pessoas vivendo com HIV e características físicas, o que gerou ainda mais críticas por reforçar preconceitos.
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Especialistas em saúde pública destacam que não existe base científica para relacionar a transmissão do HIV a um evento específico sem estudos epidemiológicos que comprovem essa ligação. Eles lembram que o vírus é transmitido em situações específicas de exposição e que a prevenção depende de informação correta, acesso ao diagnóstico e tratamento.
Dados do Ministério da Saúde indicam que o Amazonas registra incidência de 20,8 casos de HIV por 100 mil habitantes, índice superior à média nacional, de 17,8. Entre os municípios com maiores taxas estão Manaus (26,3 casos por 100 mil habitantes), Itacoatiara (22,3), Iranduba (13,8) e Parintins (12,1).
Após a repercussão do vídeo, o Ministério Público do Trabalho (MPT), a Defensoria Pública do Estado do Amazonas e a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) divulgaram manifestações de repúdio às declarações. Os órgãos ressaltaram que as falas disseminam desinformação, reforçam o estigma contra pessoas que vivem com HIV e não encontram respaldo em dados oficiais.
A SES-AM também destacou que o estado mantém políticas permanentes de prevenção, testagem e tratamento da infecção e reforçou que não há qualquer evidência que sustente as afirmações feitas pelo humorista.
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Até o momento, Dunga Mesquita não se pronunciou publicamente sobre a repercussão das declarações.
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